AUDITORIA:
JOIO E TRIGO
NELSON MONTEIRO DA ROCHA
A missão das auditorias é
dar transparência e credibilidade aos números
apresentados pelas empresas e instituições. Para isso,
normas estabelecem padrões e critérios objetivos na
análise a ser procedida pelos profissionais da área.
Nos últimos dias, verificamos diversas denúncias
envolvendo grandes empresas de auditoria, como a multinacional Arthur
Andersen no recente escândalo da americana Enron, e a KPMG, que
volta ao cenário doméstico com a publicação
da sentença condenatória dos réus do processo
sobre a falência do Banco Nacional.
A partir desses fatos, alguns
segmentos da sociedade passaram a questionar o trabalho desenvolvido
pelas firmas de auditoria na certificação dos valores
contábeis das empresas, com especial atenção às
de capital aberto. Os investidores - sobretudo os pequenos - devem
ter seu capital resguardado, uma vez que não participam
ativamente da administração das companhias.
Casos isolados não podem
comprometer a importância da transparência exigida tanto
pelo sistema quanto pela sociedade. É preciso, sim, separar o
joio do trigo. Ao contrário do que querem fazer crer alguns
que não desejam um controle efetivo, a cada dia a
contabilidade desempenha um papel fundamental no processo de
moralização de que o país tanto necessita.
Estudos comprovam a relevância
da auditoria em uma nova ordem mundial de exigência, difundida
por organismos como a Transparência Internacional e a
Transparência Brasil. Países que têm maior
quantidade de auditores em relação à população
apresentam menos corrupção do que os demais. A
Dinamarca - considerada uma das nações com menor índice
de corrupção - apresenta 100 auditores para cada 100
mil habitantes, enquanto o Brasil conta com apenas oito profissionais
para a mesma quantidade de pessoas. A estatística é
extremamente significativa.
É necessário ampliar
o universo das empresas auditadas no país, que não deve
se restringir apenas às de capital aberto. As grandes
empresas, mesmo as de capital fechado, devem prestar contas à
população que adquire seus produtos.
Isso significa soberania nacional,
em seu conceito mais legítimo possível.
Nelson Monteiro da Rocha é
presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de
Janeiro
(JORNAL DO BRASIL,
1/02/2002, P.9)