Legislação
Bancos
não perceberam fraude da Parmalat por mais de uma década
Milão
(Itália), 22 de Julho de 2004 - Os maiores bancos que
trabalhavam com a Parmalat Finanziaria SpA, como o Citigroup Inc. e o
UBS AG, permitiram que a fabricante de alimentos italiana
concordatária ocultasse a verdadeira situação de
suas finanças por mais de uma década, de acordo com um
relatório solicitado pelos promotores públicos de
Milão, que investigam o colapso da empresa. A Bloomberg News
obteve uma cópia do relatório de 445 páginas que
registra cerca de € 14 bilhões (US$ 17 bilhões) em
vendas de bônus, colocações privadas e
empréstimos feitos à empresa de laticínios
fundada pela família Tanzi em Parma, na Itália. A
Parmalat entrou em colapso em dezembro de 2003, após revelar
que uma conta com € 3,95 bilhões no Bank of America Corp.
dos EUA não existia.
"A tolerância ou
mesmo a cumplicidade de várias instituições
financeiras que colaboraram com a Parmalat permitiram a sobrevivência
artificial no mercado de ações de uma empresa que vinha
apresentando problemas há muito tempo e que, mesmo assim, era
vista por pequenos investidores como uma empresa sólida e
confiável", escreveu a consultora financeira de Milão
Stefania Chiaruttini no relatório apresentado terça-feira
passada à Justiça da cidade. Stefania, que foi
contratada pela promotoria de Milão, baseou sua análise
no testemunho de mais de 50 pessoas, incluindo o fundador da
Parmalat, Calisto Tanzi, e três ex-diretores financeiros da
empresa, segundo o relatório. Ela também teve acesso a
documentos e e-mails confiscados pela polícia nas subsidiárias
italianas do Bank of America, do Citigroup e do UBS.
Stefania
disse que os bancos, as autoridades reguladoras e os analistas não
foram capazes de detectar mais de uma década de fraudes da
fabricante do leite longa vida, do iogurte Kyr e dos biscoitos
Archway. Três promotores de Milão pediram o indiciamento
de Tanzi e de 28 outras pessoas, incluindo ex-funcionários do
Bank of America na Itália e ex-auditores das filiais italianas
da Grant Thornton International e da Deloitte Touche Tohmatsu.
"Os
problemas da Parmalat não foram causados por padrões
contábeis italianos excessivamente permissivos", disse
Stefania em uma entrevista por telefone. "Os bancos estavam mais
interessados na forma do que no conteúdo." Francesco
Greco, que está chefiando a investigação da
Parmalat em Milão, recusou-se a fazer comentários. O
caso Parmalat é a maior história de insolvência
já registrada na Itália. "Devido ao tamanho da
bagunça financeira, teria sido difícil imaginar que a
empresa pudesse acobertar tudo sozinha", disse Benedetti, que
auxilia na administração de US$ 319 milhões na
Fumagalli Soldan Sim SpA de Milão. Ao analisar a dimensão
da dívida, dos investimentos e dos ativos disponíveis
que a Parmalat declarou em seus demonstrativos financeiros, deveria
ter ficado claro para os bancos que trabalhavam com a empresa que a
condição financeira da empresa era "preocupante",
consta no relatório.
(Bloomberg News)
(Gazeta
Mercantil, Legislação, 22/7/2004, P. A-8)