Finanças



RODÍZIO DE AUDITORIAS ESQUENTA O MERCADO



Confirmado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o rodízio a cada cinco anos entre as empresas de consultoria contábil, este mercado começará a assistir a uma acirrada disputa pelas contas das empresas obrigadas a ter os balanços auditados anualmente, algo capaz não só de modificar o ranking das "Big Four" do setor já no próximo ano, mas também de produzir uma forte competição de preço do serviço. As receitas deste mercado podem ficar entre R$ 1,5 bilhão a R$ 4 bilhões anuais.


A BKR, Lopes, Machado, a quinta do ranking listado, deve ter de abrir mão de 60% de sua carteira de 50 clientes, em virtude do rodízio, mas curiosamente vai se empenhar para figurar na relação das Big Four, admite um dos sócios da consultoria, Mário Lopes, indicando que planeja prospectar negócios de forma mais agressiva. "A disputa vai ser intensa, mas entendemos que poderemos ser a quarta do mercado de auditoria, figurando entre as Big Four", disse ele, com base nas sondagens realizadas via cartas e convites para apresentar o perfil de sua empresa a companhias abertas.


INVENTÁRIO DE ESTOQUES

A prospecção de negócios deve se acirrar a partir do próximo mês, quando as empresas abertas começam a organizar o inventário dos estoques do ano, primeira indicação do processo de sucessão da consultoria, estendendo-se até o primeiro trimestre de 2004, quando deve estar decidido quem auditará o documento Informação Trimestral (ITR), enviado pelas companhias abertas à CVM até 50 dias após encerrado de cada trimestre.


Se bem-sucedida a estratégia da BKR de galgar degraus no ranking, deverá ocorrer um provável deslocamento da KPMG e sua efetiva saída do grupo das Big Four. Isso porque, antes da adoção do regime de rodízio, a diferença entre as duas consultorias é mínima, de cinco clientes em favor da KPMG, a quarta do ranking.


Na KPMG, a única certeza inicial é de que a consultoria terá de abrir mão de algo entre 30% e 40% dos grupos econômicos que atende – são 36 conglomerados, perfazendo um total de 55 empresas, segundo o ranking da CVM. "Ninguém pode ter certeza de que vai ampliar a base de clientes, porque isso estará sujeito à escolha das empresas auditadas. Mas no plano das intenções, também pretendemos aumentar nossa base", revela um dos sócios da KPMG, Pedro Melo, lembrando que, como outras, a consultoria tem uma estrutura apta a responder às exigências das empresas abertas nacionais e multinacionais. Para ele, é provável que, dada a paridade das empresas de consultoria presentes no mercado nacional, ocorra uma guerra de preços para garantir novas contas, algo para Melo condenável para a saúde do segmento de auditoria.


LÍDER PERDE ESPAÇO

Líder no ranking, a PricewaterhouseCoopers é que deverá abrir mão do maior número de empresas auditadas, para obedecer à norma de rodízio confirmada pelo colegiado da CVM em setembro. Até agora, a consultoria atende a 136 empresas de capital aberto.


A perspectiva é de que algo em torno de 400 a 500 companhias troquem de auditoria em 2004, coreespondendo a cerca de 70% das companhias abertas.



VAGNER RICARDO



(GAZETA MERCANTIL, Finanças & Mercados, 16/10/2003, p.B-2)