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MECANISMOS DE PREVENÇÃO DE FRAUDES E TECNOLOGIAS PARA RASTREAR PROVAS




Rio, 15 de outubro de 2003 - Como evitar prejuízos nas empresas e, caso seja tarde, como recuperar evidências "supostamente" apagadas


Peritos investigadores afirmam que há mecanismos para evitar fraudes nas empresas. Mas, se o estrago já foi feito, é possível ainda recuperar as evidências digitais mesmo de arquivos deletados, ainda que o computador tenha sido completamente apagado ("formatado", nos termos da informática) e reinstalados outros programas por cima. "Em raros casos em que não é possível recuperar o arquivo por inteiro, é possível resgatar ainda parte das informações", afirma o diretor-presidente do Instituto de Peritos em Tecnologias Digitais (IPDI), Ricardo Theil.


Para prevenir prejuízos gerados por fraudes, os gestores podem implantar certos mecanismos. De acordo com o perito investigador de fraudes, Marcelo Alcides Carvalho Gomes (titular da GBE Peritos & Investigadores Contábeis), existem ainda alguns sinais que podem indicar o surgimento do crime corporativo. Para ele, é possível, inclusive, identificar o perfil do fraudador. "Os crimes são praticados em todos os níveis hierárquicos, individualmente, em pequenos grupos ou em quadrilhas com dez pessoas ou mais", afirma.


Segundo Marcelo Alcides, os crimes contra as empresas constituem a segunda maior fonte arrecadadora ilícita de dinheiro do mundo, perdendo apenas para o narcotráfico. "O equivalente a 6% da receita bruta das empresas dos Estados Unidos, por exemplo, é desviada em crimes de fraude e abuso ocupacional", revela o perito, cujo trabalho consiste em apresentar dados e informações que embasem provas legais relevantes para ações judiciais e extrajudiciais com o objetivo de determinar se houve ou está ocorrendo fraude dentro da organização, identificando os responsáveis.


E para juntar evidências de dados alterados ou apagados de computador, inclusive informações trocadas que podem levar ao autor das fraudes, a tecnologia ajuda. Peritos digitais brasileiros estão trabalhando em conjunto com venezuelanos e argentinos para aprimorar os mecanismos chamados de "computer forensics". Esse sistema consiste na recuperação de evidências digitais e a transfomação dessas informações em provas aceitas judicialmente.


"Até mesmo o roubo de dados é detectável. O mundo digital deixa muito mais rastros que o mundo presencial. Não é possível apagar todas as evidências, sempre fica algum resíduo", comenta Ricardo Theil. "Isso porque o HD (hard disk) é feito de material magnético. Esse material tem memória, tudo que entra nele fica 'escrito', e continua ali, mesmo que 'sobrescrito'. É o que chamamos de 'histerese'", explica o especialista em tecnologias digitais. "Em caso de fraude na empresa, se o fraudador utilizou o computador para qualquer movimentação ou troca de informação, ainda que ele apague tudo, tudo é recuperável. Pode haver alguma dificuldade em mensagens criptografadas, porque os dados serão recuperados, mas nem sempre é possível decifrar o código criptográfico", acrescenta Theil.


"No mundo digital os atos não são facilmente perceptíveis, podendo causar danos e perdas de naturezas diversas", comenta o perito digital Ricardo Theil. "Felizmente, hoje os peritos contam com o auxílio de técnicas mais modernas, como as de computer forensics, ciência que examina e reconstrói de forma completa todas as atividades realizadas via computador, indicando seus autores, tipo de atividade, data e forma de execução, em computadores (servidores, desktops, notebooks), redes de dados, provedores de serviços e até mesmo de equipamentos danificados fisicamente e aparentemente sem qualquer conteúdo acessível", conclui o perito digital.


Os temas serão temas de seminários em diferentes eventos na capital paulista. Marcelo Alcides discutirá as características do fraudador na palestra "Entendendo e Conhecendo a Fraude Empresarial e o Perfil do Fraudador", no próximo dia 22, a partir das 13h30, no Regente Park Hotel (Rua Oscar Freire, 553 - Cerqueira César - SP). A palestra integra a conferência "Gestão de Riscos e Fraudes em Crédito", que acontece dias 21 e 22 de outubro. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3031-6777.


Já Ricardo Theil, discute as modernas técnicas de "computer forensics", juntamente com suas ações de recolhimento, análise, tratamento, conclusões e estratégias de prevenção, juntamente com os peritos Milthon Chávez, da Venezuela, e Eduardo Massa, da Argentina. A palestra promove a oficina "Infra-estrutura de Segurança, Controle e Computer Forensics frente a Incidentes". O evento acontece dia 16 de outubro, das 9h às 17h, no Hotel Hilton (Avenida das Nações Unidas, 12.901, Morumbi, São Paulo); integrando a 8ª edição da conferência anual Latin América CACS (Congresso de Auditoria e Controle de Segurança da Informação), que acontece entre os dias 12 e 16 de outubro. (Gazeta Mercantil)



CRISTIANE CRELIER - Especial do Rio



(GAZETA MERCANTIL, LEGAL & JURISPRUDÊNCIA, 15/10/2003)