CORTES NA REESTRUTURAÇÃO MUNDIAL





Rio - Os graves problemas financeiros que a Xerox Corp. vem enfrentando nos Estados Unidos, acabaram afetando todas as unidades da multinacional no mundo que tiveram que cortar custos, mudar a estratégia de negócios e engavetar planos de expansão. O programa de ajustes decidido pela matriz, no ano passado, envolveu corte de despesas de US$1,1 bilhão e dispensa de 13,6 mil pessoas no mundo.


No Brasil, onde a Xerox têm 75% do mercado de copiadoras, foram demitidos 1,2 mil funcionários, de um quadro de 3,2 mil. A previsão de redução de custos é da ordem de US$ 100 milhões até o final do ano.


No novo cenário de aperto financeiro, a Xerox também teve que mudar a sua estratégia de negócios. Seguindo o que já havia sido feito em todo o mundo, a subsidiária brasileira saiu da área de leasing, deixando de financiar com recursos próprios as máquinas para seus clientes. Desde abril o Itaú passou a ser o agente financiador: as máquinas não são mais alugadas, passando a ser vendidas através de financiamento próprio do banco.


Também acabou o modelo descentralizado de gestão, onde as 16 unidades da empresa no País tinham grande autonomia de vôo. Agora são só cinco - 11 foram fechadas -, que se reportam direto à direção da empresa, com sede no Rio.


O corpo de vendas foi enxugado. O atendimento às pequenas e médias empresas está todo sendo terceirizado, com representantes espalhados pelo País com equipes de vendas própria. A Xerox só vai atender com pessoal próprio as grandes contas - as mil maiores empresas e órgãos de governo.


Além de sair do financiamento próprio de máquinas, a Xerox também começa a vender equipamentos alugados para fazer caixa. Ou seja: o cliente poderá comprar a máquina, o que antes não era possível.


Outra frente para reduzir custos é a terceirização dos serviços de assistência técnica para as chamadas impressoras de baixo volume - aquelas de menor custo e pequena velocidade. Quatro empresas foram contratadas para substituir o pessoal da Xerox nesta área.


A Xerox já havia dado início ao processo de reestruturação de sua cadeia logística com a contratação da holandesa TNT Logistics para cuidar do armazenamento, gerenciamento de informações e distribuição de peças e equipamentos. A redução de custos esperada com essa terceirização, neste ano, é de R$20 milhões.


Outro passo dado para baixar custos foi a mudança no sistema de importação de impressoras, onde a multinacional tem 11% do mercado das coloridas e 9% das preto e branco. A HP é líder com 45%. A Xerox deixou de importar direto da matriz, passando esta incumbência a duas empresas: Ingram Micro e Tech Data, que também farão a distribuição dos produtos.


(Claudio R. Gomes Conceição)


(GAZETA MERCANTIL, 1/7/2, P. A-14)