BRITÂNICOS
ACUSADOS DE FRAUDE LIGADA À ENRON
No
âmbito da investigação da Enron Corp., a Justiça
federal norte-americana entrou com uma queixa-crime contra três
britânicos, acusando-os de fraudar a companhia em que
trabalham, o National Westminster Bank, em US$ 7,3 milhões em
suas operações com uma sociedade ligada à
empresa.
Essencialmente,
a queixa-crime descreve um plano concebido pelos dirigentes,
juntamente com executivos da Enron, para induzir o National
Westminster a vender um investimento valioso para outra instituição
por quantia muito inferior a seu real valor de mercado.
Mas
o que o banco não sabia é que essa instituição
- uma sociedade conhecida como Southampton - era de propriedade de
executivos da Enron, e que os altos executivos do banco britânico
também tinham indiretamente uma participação na
empresa. Poucas semanas após a venda, os executivos da Enron e
os dirigentes do banco embolsaram dezenas de milhões de
dólares em lucros.
A
Southampton está há muito no centro da investigação
que apura as irregularidades da Enron. Segundo um relatório de
uma comissão especial do conselho de administração
da empresa, a sociedade foi empregada por um grupo de funcionários
internos da Enron - entre os quais Andrew S. Fastow, seu ex-diretor
financeiro - para ganhar milhões de dólares que
possivelmente deveriam ter ido para a Enron.
A
queixa-crime, que deu entrada em Houston, juntamente com pedidos de
prisão dos três altos executivos de banco - que, segundo
se acredita, estão no Reino Unido -, arrola com vivo detalhe
as complexas maquinações que presidiram a criação
da parceria da Southampton. Descreve exaustivamente os papéis
desempenhados por Fastow e por outro executivo da Enron, Michael J.
Kopper, a cada passo da transação.
A
queixa-crime responde a uma das perguntas mais exasperantes
envolvidas na transação: por que o proprietário
original do investimento vendido à Southampton jogou para o
alto milhões de dólares em lucros? O motivo, segundo a
queixa-crime, foi o esforço dos executivos da Enron e dos
altos dirigentes do banco em ludibriar a NatWest.
Os
dirigentes do banco teriam assegurado milhões de dólares
em lucros para si se conseguissem arrancar o valioso investimento à
NatWest e vendê-lo para a Southampton por uma fração
de seu real valor. Isso, por sua vez, trouxe os enormes lucros para
Fastow, Kopper e outros participantes da Enron na Southampton. Ao
mover as acusações, a promotoria optou por empregar uma
queixa-crime, em vez de uma pronúncia a um tribunal do júri
(que determina ou não posterior julgamento) ou uma informação
penal. Essas queixas dão muito mais rapidez ao governo na
abertura dos processos investigativos.
(Das
agências internacionais)
(GAZETA
MERCANTIL, 1/7/2, p.A-15)