WORLDCOM INVESTIGA SUA CONTABILIDADE E SEUS EXECUTIVOS



Mississippi - O principal executivo da WorldCom Inc., John Sidgmore, enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, George Bush, dizendo que a empresa "aceita a responsabilidade" pelo escândalo contábil. Na carta, Sidgmore disse que a administração da empresa está "tão surpresa quanto ultrajada" pela revelação. O documento detalha as medidas que a WorldCom está tomando, inclusive o início de uma investigação interna, a demissão do diretor financeiro da empresa, cortes de custos e a continuidade das negociações com executivos do setor bancário.


Na semana passada, a empresa reconheceu ter contabilizado de forma errônea US$3,9 bilhões em gastos operacionais como investimentos de capital. A WorldCom demitiu o diretor financeiro Scott Sullivan no mesmo dia e, no dia seguinte, a Securities and Exchange Commission (SEC) a acusou de fraude.


O diretor da WorldCom, James Allen, informou que uma investigação independente sobre a contabilidade da operadora de telefonia de longa distância levará de 60 a 90 dias para ser concluída e incluirá uma avaliação da própria diretoria. "Será uma investigação muito profunda", afirmou Allen em uma entrevista por telefone. "Acho que todo mundo será examinado na empresa e na diretoria. Fomos informados que isso levará de 60 a 90 dias."


A WorldCom contratou o advogado William R. McLucas, ex-diretor da divisão de implementação da lei da SEC, para conduzir uma investigação interna.


Na sexta-feira, um juiz federal dos EUA, a pedido da SEC, proibiu os funcionários da WorldCom de destruir arquivos e documentos da empresa. Também na sexta, acionistas da companhia apresentaram uma ação contra ela numa corte federal do Mississipi.


Doações de campanha

A WorldCom e seus funcionários doaram US$7,6 milhões para candidatos e partidos políticos desde 1989, com os republicanos recebendo perto de 54%, segundo um grupo não partidário que rastreia as doações de campanha.


O líder republicano Trent Lott foi o principal beneficiário no Senado, com US$41.750, e o representante republicano Charles Pickering liderou a Câmara dos Deputados com US$82 mil, segundo o Centro para Responsabilidade Política. Os dois são oriundos do Mississippi, onde a WorldCom, a segunda maior operadora de telefonia de longa distância dos EUA, tem sede. Outro grande favorecido foi o senador da Carolina do Sul, Ernest Hollings, chairman democrata do Comitê de Comércio do Senado, que supervisiona a legislação de telecomunicações.


"A WorldCom claramente empregou alguma ordem estratégica na sua doação de campanha", disse Steven Weiss, porta-voz do centro. As contribuições da WorldCom são maiores do que as da Enron Corp., que doou US$ 5,8 milhões desde 1989 e da Arthur Andersen, auditora das duas, que doou US$ 5,2 milhões.


(Bloomberg News)


(GAZETA MERCANTIL, 1/7/2, p.A-15)