SEC VAI REVER VENDAS DE AÇÕES DE FUNCIONÁRIOS




Clinton, Mississippi (EUA) - Funcionários e diretores da WorldCom venderam US$31,6 milhões em ações durante os 15 meses em que a companhia de telecomunicações norte-americana ocultou prejuízos. A Securities and Exchange Commission (SEC, órgão que corresponde à Comissão de Valores Mobiliários do Brasil) afirmou que irá rever as vendas.


O principal executivo da empresa, John Sidgmore, que assumiu o cargo em abril com a saída do co-fundador da empresa, Bernard Ebbers, vendeu ações no valor de US$ 441 mil desde janeiro de 2001. Sidgmore informou que estava "chocado" por saber que a WorldCom criou lucros fraudulentos nos últimos cinco trimestres ao contabilizar erroneamente US$ 3,85 bilhões em despesas.


O presidente da SEC, Harvey Pitt, disse na quarta-feira que a agência aplicou encargos por fraude contra a WorldCom, e uma autoridade executiva da SEC, que solicitou permanecer em anonimato, comentou que irá investigar as vendas das ações.


As ações da WorldCom declinaram 94% desde o final de 2000. A segunda maior companhia telefônica de longa distância dos Estados Unidos acumulou mais de US$30 bilhões em dívidas após vários anos de aquisições.


VENDAS LEVANTAM SUSPEITAS


"Isso definitivamente levanta algumas questões", comentou Carl Domino, presidente da Northern Trust Value Investors, que administra ativos no valor de US$ 1,8 bilhão e cuja matriz detinha 11 milhões de ações da WorldCom em março deste ano. "Se eles venderam e sabiam o que estava acontecendo, isso é particularmente complicado", disse.


Brad Burns, porta-voz da WorldCom, que fica em Clinton, Mississippi, nos Estados Unidos, evitou comentar sobre as vendas privilegiadas de ações pelos funcionários da empresa. Ebbers não divulgava o resultado de vendas desde uma ocorrida em 2000 para cumprir o pagamento de comprometimentos de um acordo de empréstimo marginal, comentou Burns em outubro de 2000.

(Bloomberg News)



(Gazeta Mercantil, Finanças & Mercados, 28/6/2002, P. B3)