JUIZ INDICA PERITO PARA INVESTIGAR CASO ENRON




JEFF ST. ONGE/BLOOMBERG NEWS
de Nova York



A teia de transações que levaram a Enron ao colapso financeiro, a empresa de auditoria, escritórios de advocacia e bancos que assessoraram a companhia energética serão investigados por um perito independente, determinou um juiz de falências.


A partir de sua nomeação, o perito terá 120 dias para apresentar um relatório sobre as entidades para fins especiais, as parcerias fora dos balanços e as irregularidades contábeis, informou ontem o juiz de falências dos Estados Un idos, Arthur Gonzalez, em Manhattan.


A curadora Carolyn Schwartz, funcionária do Departamento de Justiça, indicará o síndico, que deverá ter a aprovação de Gonzalez. "Este procedimento não é rotineiro, não é usado com freqüência", observou Donald S. Ro biner, curador para Michigan e Ohio de 1994 até setembro do ano passado. "Isto me diz que o juiz de falências considera que as acusações dos investidores da Enron justificam maiores investigações".


Robiner é um dos supervisores de casos de concordata r ecentes, como a da siderúrgica LTV e da companhia química Dow Corning, para nenhum dos quais foi nomeado um perito.


Os acionistas da Enron entraram com uma ação por fraude na gestão de valores mobiliários contra a companhia comercializadora de energia que outrora dominava o mercado, bem como nove bancos e dois escritórios de advocacia que assessoravam a Enron, tentando obter indenizações bilionárias.


"Considerando o que sabemos a respeito do que aconteceu na Enron, serão investigadas a fundo as ativ idades em que a companhia supostamente teria se envolvido", disse Robiner, que atualmente é advogado em Cleveland. Gonzalez foi curador em Manhattan de 1993 até o fim de 1995.


O perito determinará também "se existe um mecanismo jurídico para os detento res" de ações da Enron, além das afiliadas da companhia, para participar das quitações das dívidas junto aos credores quando o caso de concordata for concluído, disse o juiz. A Enron deve aos credores mais de US$ 40 bilhões.Luc Despins, advogado de Nova York que representa a comissão de credores da Enron, não pôde ser encontrado para comentar o assunto. Ontem, as ações da companhia sediada em Houston, que eram vendidas a mais de US$ 90 em agosto de 2000, caíram US$ 0,03, para US$ 0,29.




(Gazeta Mercantil, 10/4/2002, P. A-14)




CONTADOR ADMITE CULPA



David Duncan, ex-sócio da Arthur Andersen que comandou a auditoria feita na empresa de energia Enron, declarou-se ontem culpado pelas acusações de obstrução da Justiça. Ele agora está do lado do Departamento de Justiça dos Estados Unidos como uma testemunha crucial na investigação sobre o colapso da ex-líder mundial em comercialização de energia.


Segundo agências internacionais, Duncan assumiu a culpa por ter ordenado a destruição de milhares de documentos sobre a companhia de e letricidade, que faliu em dezembro, mergulhada em dívidas e escândalos sobre práticas contábeis ilegais. Esta é a primeira confissão de culpa nos três meses de investigação do Departamento de Justiça. Duncan foi demitido em janeiro, por dirigir a equipe na destruição dos papéis, tendo em vista o início da investigação da Securities and Exchange Commission (SEC, equivalente à CVM do Brasil) sobre o caso.


A Andersen negocia com o Departamento de Justiça norte-americano para não se declarar culpada, em u ma tentativa de sobreviver no mercado depois de perder dezenas de clientes e ter a rede internacional ameaçada de falência.


A cooperação de Duncan pode ajudar os promotores públicos a conseguir informações sobre o que os executivos da Enron sabiam sobr e o processo de omitir dívidas e inflar os lucros, o que levou ao pedido de concordata.


(das agências internacionais)




(Gazeta Mercantil, 10/4/2002, P.A-14)