PRESIDENTE
DA KPMG ADMITE FUSÃO
Assim
como várias outras afiliadas das auditorias da Arthur Andersen
e KPMG espalhadas pelo mundo, as operações brasileiras
das empresas também discutem o processo de fusão
localmente. David Bunce, presidente da KPMG no Brasil, afirma que o
braço brasileiro participa da discussão global, mas já
deu início a um processo de aprofundamento da discussão
de aproximação local.
"Existe o entendimento em
nível internacional e agora é o período para as
filiais aderirem ou não", diz. "Não temos
porque ser diferente do resto do mundo, mesmo porque concluímos
que faz sentido trabalharmos juntos."
Bunce
reconhece que ainda há muitos passos a serem cumpridos e que a
situação é complexa. "A dificuldade de
mercado da Andersen nos Estados Unidos inviabilizou sua atuação
global", afirma. Juntos, os braços brasileiros das
auditorias estudam riscos que podem ou não existir e buscam
uma maneira de combinar as operações e tornar possível
a fusão. "Entramos com o desejo de levar o objetivo em
frente, mas precisamos ser realistas em relação à
situação e suas possíveis complicações".
O
executivo ressalta que ainda é necessária a aprovação
de órgãos regulatórios e dos sócios das
entidades e há o risco de exposição das
afiliadas internacionais da Andersen se exporem aos passivos da
matriz, nos Estados Unidos. "Ainda nem sabemos até que
ponto a Corte norte-americana poderia chamar as filiadas para
participar do prejuízo", diz. "A fusão só
se concretizará quando exaurirem-se todas essas pendências."
O
presidente da KPMG no Brasil não vê conflitos de
interesse entre as auditorias no País. "Juntas, nossa
atuação cresceria e haveria sinergia de investimentos e
custos". Com a fusão, as unidades brasileiras das
auditorias passariam à liderança do mercado brasileiro,
que não possui estatísticas oficiais.
Na
região da Ásia/Pacífico, treze afiliadas da
Arthur Andersen declararam ontem que respaldarão uma fusão
global com a concorrente KPMG. As negociações entre a
KPMG e as afiliadas da Andersen na Ásia continuarão
inclusive se fracassarem as conversações entre as suas
contrapartes européias, explicaram os executivos.
A
possível fusão proporcionaria à KPMG uma
influência considerável na região e ajudaria às
divisões da Andersen a manter empregos e clientes. Aldo
Cardoso, presidente do conselho de administração das
parcerias da Andersen Worldwide, e Colin Holland, diretor-geral de
operações da KPMG International, declararam aos
jornalistas em Cingapura, depois de uma reunião de três
dias, que 13 das afiliadas da Andersen concordaram em negociar como
um bloco, em vez de romper os laços com a Andersen, e tentar
sobreviver independentemente.
(Angélica
Vilela com Dow Jones Newswires)
(GAZETA
MERCANTIL, LEGISLAÇÃO, 20/3/2002, P.A-15)