ANDERSEN
E KPMG NEGOCIAM FUSÃO FORA DOS EUA
Expansión
*
de Madri
O
acordo englobaria as filiais nos países mais importantes da
Europa, África, Canadá, Ásia e América
Latina
As
empresas de auditoria Arthur Andersen e a KPMG estão em
conversações com o objetivo de fundir suas atividades
fora dos Estados Unidos, segundo reconheceram num comunicado
conjunto. O acordo entre as empresas envolveria as filiais
internacionais. "Estamos avaliando a possibilidade de fundir
nossas atividades nos países mais importantes da Europa,
África, Oriente Médio, Canadá, Ásia e
América Latina", assinalou Harald Wiedmann, presidente da
KPMG da Alemanha.
"Todo
o mundo da Andersen está tentando preservar o máximo
possível da rede, mas não queremos fazê-lo de
forma equivocada", explicou um sócio europeu da Andersen,
ao reconhecer que há muitos aspectos legais a esclarecer antes
de se tomar alguma decisão.
Christophe
Gross, responsável pelas operações da Andersen
na Alemanha, Áustria e Suíça, assegurou que os
sócios lhe deram poderes para romper relações
com a matriz, se necessário, embora estime que isso ainda seja
prematuro.
Alfo
Cardoso, responsável pela Andersen da França,
ressaltou, por seu lado, que na Europa ninguém tomou até
agora decisão nesse sentido, com exceção da
Espanha, embora tenha reconhecido ser possível que algumas das
empresas possam optar por retirar-se da rede.
Outra
opção passível de ser adotada pela Andersen
Worldwide consistiria em excluir a Arthur Andersen, a matriz
norte-americana, do acordo global, se for considerada culpada de
obstrução de Justiça, e manter o restante da
rede intacto, coisa tecnicamente possível.
No
entanto, muitos especialistas estimam que a queda de prestígio
da empresa Andersen em todo o seu conjunto, que continua perdendo
mais clientes dia após dia, torna praticamente impossível
que os sócios internacionais continuem trabalhando com ela,
embora se arrisquem a perder alguns dos grandes clientes
norte-americanos.
Mas,
a acusação do caso Enron afirma que as filiais
estrangeiras da Andersen não escaparão das
responsabilidades que vierem à tona a partir do processo
judicial.
Steve
Berman, advogado que representa os funcionários da Enron,
insolvente desde o início do ano, assinalou que os diretores
da Andersen "estão enganados" ao pensar que os
sócios internacionais podem ser desligados do processo
judicial em curso nos Estados Unidos.
"Os
sócios compartilham lucros e custos, e trocam publicidade...
Não podem escapar às suas responsabilidades",
declarou Berman referindo-se aos anúncios da Andersen da
Espanha e do Chile de que estariam tentando se desvincular da matriz
norte-americana.
Berman
ressaltou que seus clientes têm planos de acrescentar a
Andersen Worldwide, rede internacional que agrupa as empresas
internacionais da Andersen, com sede em Genebra, como co-responsável
no processo judicial já em tramitação em
Houston.
A
Andersen Worldwide atua como coordenadora de todas as empresas
Andersen em todo o mundo, por meio de um acordo que permite a cada
uma delas manter-se como uma entidade independente, mas compartilhar
do mesmo nome, recursos e estratégia.
Os
funcionários e acionistas da Enron acionaram a Andersen por
sua participação nos prejuízos causados pela
companhia na bolsa, e por não ter auditado corretamente as
contas da empresa, além de ter destruído documentos
sobre o caso.
O
Departamento de Justiça dos Estados Unidos também
processou a Andersen por possível obstrução de
Justiça, e o governo dos Estados Unidos proibiu que se façam
novos negócios com a companhia, que era a quinta maior
consultoria do mundo antes do escândalo Enron.
Na
semana passada a Andersen da Espanha anunciou sua desvinculação
do grupo mundial, e seus sócios afirmaram que "adotarão
muito em breve" medidas concretas para consolidar sua liderança
e preservar seu prestígio, bem como garantir a continuidade
das operações.
A
Andersen da Espanha é um dos líderes indiscutíveis
do setor naquele país, com 23 das 35empresas mais importantes
da bolsa espanhola o que lhe garante um faturamento de 384 milhões
(US$ 434 milhões).
Outros
sócios internacionais se manifestaram em termos parecidos,
como a Andersen Chile e a subsidiária britânica, embora
esse último caso seja mais complicado. Isto porque o
escritório com sede em Londres pode estar diretamente
vinculado à destruição de documentos
relacionados com a Enron.
(* Rede de Diários
Econômicos)
(Gazeta
Mercantil, Empresas e Carreiras, 19/3/2002, p. C-1)