WORLDCOM SOB INVESTIGAÇÃO DA SEC



Clinton (Mississippi) - Contabilidade da empresa que controla a Embratel cai na "malha fina" da CVM americana


As ações da WorldCom, controladora da Embratel, caíram nada menos que 19% depois que a segunda empresa americana de telefonia de longa distância informou que as autoridades estão investigando empréstimos concedidos a altos executivos e sua contabilidade.


A SEC (equivalente à Comissão de Valores Mobiliários nos EUA) solicitou à WorldCom informações a respeito de 20 itens, inclusive contratos de serviços aos clientes, o acompanhamento e a análise feitos pela empresa das estimativas de lucros dos analistas e a contabilização do "goodwill", ou seja, a diferença entre o preço pago por um ativo e seu valor contábil, disse a companhia.


A SEC, que intensificou a investigação da contabilidade das empresas depois do colapso da Enron, pediu à WorldCom a correspondência com a empresa de auditoria Arthur Andersen, também auditora da Enron. Entre os empréstimos da WorldCom estão US$ 198,7 milhões concedidos ao principal executivo, Bernard Ebbers. Contatado num congresso de investidores em Nova York, Ebbers recusou-se a dar entrevista.


As ações da WorldCom caíram 13%, para US$ 7,88 nas negociações do início da tarde. As ações eram as mais ativas nos mercados americanos e já haviam caído 36% este ano.


Na Bovespa, As ações da Embratel reverteram as fortes perdas verificadas no início do pregão para fecharem em alta. Embratel PN encerrou com valorização de 1,45%, a R$ 9,05, depois de indicar perdas de 5% no pior momento do dia. Embratel ON teve ganho de 3,33%, a R$ 10,85. Os ADR’s fecharam com alta de 0,52%, em Nova York.


A WorldCom, com sede em Clinton, Mississippi, declarou ontem que os procedimentos da companhia obedecem às normas e à legislação contábil. Um representante da empresa não respondeu aos pedidos telefônicos que buscavam comentários.


O WorldCom Group afirmou não saber o que motivou a investigação da SEC. A carta da comissão, datada de 7 de março, pediu a entrega, até 21 de março, de todos os documentos referentes a empréstimos efetuados pela WorldCom a qualquer um de seus executivos ou diretores desde o início de 1999, e também à forma como foram contabilizados.


No mês passado, Ebbers disse que dispunha dos ativos para saldar uma dívida de US$198,7 milhões da companhia e que não precisaria vender ações para cobri-la, mas não sabia que ativos utilizaria. Levantou um empréstimo no Bank of America para a compra de ações da WorldCom. Quando os empréstimos venceram, e com a queda das ações, a WorldCom os saldou. Ebbers disse no mês passado que deve à WorldCom mais US$ 176 milhões, mas não entrou em detalhes.


A Qwest Communications e a Global Crossing, ambas em concordata, também são investigadas pela SEC.



(Colaborou Silvia Araújo, de São Paulo)

(Bloomberg News)


(Gazeta Mercantil, 13/3/2002, P. A11)