LEGISLAÇÃO
SENADO
SUSPEITA DE OBSTRUÇÃO DA JUSTIÇA NA QUEBRA DA
ENRON
O
senado dos Estados Unidos está está analisando a
hipótese de que a Enron Corp. tenha tentado obstruir a ação
da Justiça em relação à sua falência.
"A data em que foi enviado o memorando de uma empresa de
contabilidade, determinando a destruição de documentos,
levanta a possibilidade de ter ocorrido obstrução à
ação da justiça", afirmou o presidente da
comissão do Senado americano que investiga a falência
empresa, Joseph Lieberman.
O
senador, um democrata de Connecticut, disse no domingo estar
preocupado com o fato de um advogado da Arthur Andersen & Co., a
empresa que fazia a contabilidade para a empresa de energia, ter dado
instruções para a destruição de
documentos da empresa Enron.
"O
memorando do advogado tem a data de12 de outubro de 2001, quando a
Andersen e os executivos da gigante do setor de energia ficaram
sabendo que ela estava com problemas reais e o teto prestes a cair
sobre suas cabeças", disse Lieberman.
O
deputado John Dingell, de Michigan, democrata que participa da
Comissão de Comércio da Câmara, disse ontem que a
investigação do grupo vai concentrar-se nas acusações
de tráfico de informações privilegiadas,
subornos para executivos da empresa que foram autorizados a vender
suas ações da Enron e principalmente, no fato de terem
sido destruídos papéis, pois as instruções
eram para isso.
"Existem
evidências bastante fortes de tráfico de informações
privilegiadas e evidências certas de que os relatórios
não eram claros e honestos", disse Dingell ao programa
"The Early Show", da rede CBS. "A contabilidade falsa
parece ser um dos problemas mais importantes", completou.
Ao
lado da polêmica sobre os documentos destruídos, membros
do gabinete do presidente George W. Bush se esforçam para
desvincular o presidente das conversas que o chairman da Enron,
Kenneth Lay, teve com secretários do governo, a respeito da
empresa.
O
secretário do Comércio, Don Evans, disse no domingo ter
discutido os telefonemas de Lay com o Secretário do Tesouro,
Paul O'Neil, que também foi procurado pelo empresário.
Evans também afirmou que mais tarde discutiu o assunto com
Andrew Card, chefe de gabinete da Casa Branca. No entanto, Evans
afirma que Card jamais informou ao presidente sobre os telefonemas.
Lay
telefonou para Evans no dia 29 de Outubro para saber o que a
administração poderia fazer para ajudar a Enron com
seus problemas de crédito, disse Evans, que negou ter
oferecido ajuda. O'Neil, que descreve seu telefonema como "um
alerta" de Lay sobre a situação financeira da
Enron, também disse não ter oferecido auxílio.
O
memorando do advogado da Andersen foi descoberto por investigadores
do Congresso e revelado em primeiro lugar pela revista "Time".
A Arthur Andersen, uma das maiores e mais influentes empresas de
contabilidade do país, revelou na semana passada que alguns
documentos relativos à Enron, com sede em Houston, haviam sido
destruídos, mas não acrescentou qualquer outra
informação. A Enron, uma das maiores empresas de
energia elétrica do mundo, pediu concordata no final do ano
passado. A empresa foi uma das grandes financiadoras da campanha
presidencial de George W. Bush e tem no Brasil investimentos da área
de energia elétrica e gás.
(GAZETA
MERCANTIL, "LEGISLAÇÃO", 15/1/2002, P. A-9)