ERNST &
YOUNG QUEBRA TABU NA AUDITORIA
SIMONE
AZEVEDO de São Paulo
A Ernst &
Young desafiou uma tradição do mercado de auditoria na
América Latina.
Decidiu contratar
100 profissionais em cinco países da região para a
venda de seus serviços, atividade até então
exclusiva dos sócios. Implantada há dois anos nos EUA,
a estratégia elevou em 30% o faturamento do grupo no país.
Os concorrentes criticam a idéia.
Para eles o
conhecimento técnico é fundamental na conquista da
confiança do cliente.
(GAZETA
MERCANTIL, 5-7/10/2001, P.1)
MERCADO
AUDITORIA CRIA EQUIPE DE VENDAS
SIMONE
AZEVEDO
de São Paulo
A Ernst &
Young ousou romper um tabu das empresas de auditoria.
Até o final
do ano, terá uma equipe de cerca de 100 profissionais
especializados em vendas para toda a América Latina. A
iniciativa seria apenas mais uma estratégia gerencial não
fosse a tradicional rejeição dos sócios das
empresas de auditoria em delegar suas atividades de vendas a
executivos externos.
A quebra de um
costume já tão arraigado tem uma razão especial
para a Ernst & Young: mesmo em meio às projeções
de desaceleração da atividade econômica mundial,
sua meta é um crescimento anual entre 25% e 30% durante os
próximos cinco anos. A idéia é chegar a ser a
segunda maior empresa da América Latina, atrás apenas
da Pricewaterhose Coopers.
Para encarar o
desafio, a Ernst & Young contratou Márcio Mattos,
ex-presidente da Lotus, para profissionalizar a área de
vendas. Sua missão é contratar entre 80 e 100 pessoas
especializadas para atuar em escritórios no Brasil, México,
Argentina, Chile e Venezuela.
Mattos terá
de provar que a venda de um produto de auditoria é
independente do conhecimento técnico.
"Vender é
quase uma ciência", afirma Mattos.
A estratégia
de delegar tais atividades a quem não entende nada de
auditoria foi testada pela primeira vez nos Estados Unidos, há
dois anos. Segundo Mattos, pesquisas apontaram que os trabalhos
realizados pelas equipes daquele país elevaram em 30% as
vendas da Ernst.
Os projetos de
Mattos apontam para 100 potenciais clientes na América Latina.
Seis meses depois de iniciado o seu processo de estruturação,
a área de vendas fechará o primeiro negócio em
outubro. O principal alvo dos trabalhos serão os serviços
correlatos à auditoria, como assessoria tributáriam
legal e a área de finanças corporativas.
A ousadia da Ernst
& Young não está nos planos de outros grandes
grupos de auditoria. Pelo menos por enquanto, a estratégia dos
concorrentes continua focada na venda por meio dos sócios.
David Bunce, presidente da KPMG, defende que é fundamental
garantir a confiança do potencial cliente na capacidade
técnica do profissional.
Insistimos
também que o sócio encarregado da venda seja o mesmo
que irá gerenciar o projeto, afirma.
A preocupação
em aprimorar os trabalhos de vendas, entretanto, é forte na
KPMG. Nossos sócios fazem cursos técnicos e de
talentos para aprender a vender, diz Bunce.
Marketing também
está entre as prioridades. A idéia é manter
campanhas em jornais, revistas e outdoors até o Natal.
Na Deloitte Touche
Tohmatsu também é praxe a venda ser realizada pelo
mesmo técnico que entregará o trabalho. As tarefas de
identificação de potenciais clientes começam com
uma lista das empresas com as quais a Deloitte gostaria de trabalhar.
A partir da lista os nossos técnicos acompanham a vida
da companhia até buscar uma aproximação,
informa Alcides Hellmeister, presidente da Deloitte.
A Pricewaterhose
Coopers já chegou a pensar em contratar profissionais
especializados para a área de vendas, mas não levou os
planos adiante. Seria como se um médico tentasse vender
serviços por intermédio de terceiros, argumenta
Henrique Luz, sócio da auditoria.
Ele garante que a
Price sequer tem investido em marketing.
Recebemos,
em média, três procuras de novos serviços por
dia, afirma.
(GAZETA MERCANTIL,
"CAPITAL ABERTO", 5-7/10/2001, P.1)