IMPÉRIO ABATIDO
Gasto com guerra faz governo ficar no vermelho em US$ 374,22 bi



DÉFICIT PÚBLICO BATE RECORDE NOS EUA



DA REDAÇÃO

O governo federal norte-americano registrou um déficit fiscal de US$ 374,22 bilhões no ano fiscal de 2003, encerrado no mês passado. Trata-se, em termos absolutos, do maior buraco nas contas públicas da história do país.


Os chamados déficits gêmeos (nas contas interna e externa) preocupam os economistas do país. Pode ocorrer um maior enfraquecimento do dólar e uma alta nas taxas de juros, o que afetaria toda a economia.


A deterioração fiscal do país, que acumulou superávits de 1998 a 2001, ocorreu por causa da alta dos gastos com segurança e dos custos da Guerra do Iraque, além da redução de impostos aprovada pelo presidente George W. Bush. Pesa ainda o fato de a arrecadação ter caído em decorrência do desaquecimento econômico.


O recorde anterior havia sido registrado em 92, quando o déficit ficou em US$ 290 bilhões. Na época, George Bush pai, republicano, era o presidente e, justamente naquele ano, perdeu a reeleição para o democrata Bill Clinton.
De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o déficit equivale a 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Por esse critério, o saldo negativo nas contas federais é o maior desde 1993.


A expectativa do próprio Tesouro é que o déficit público siga crescendo e ultrapasse US$ 500 bilhões no ano fiscal de 2004, que teve início no dia 1º deste mês. Há apenas três anos, em 2000, o país tinha registrado um superávit recorde de US$ 236,8 bilhões. No ano fiscal de 2002, o déficit ficou em US$ 157,8 bilhões.


O Tesouro norte-americano afirmou que vê sinais de melhora nas contas públicas e que o déficit está longe de atingir percentuais acima de 5% do PIB, como ocorreu nos anos 80, durante o governo de Ronald Reagan.


"Ainda que a expectativa é que o déficit cresça e passe de US$ 500 bilhões, mesmo com uma retomada econômica, podemos colocá-lo em um caminho de queda com a adoção de políticas de estímulo do crescimento e controle de gastos", afirmou o diretor do Departamento de Orçamento dos EUA, Joshua Bolton.


A arrecadação federal caiu de US$ 1,853 trilhão, no ano fiscal de 2002, para US$ 1,782 trilhão. Já os gastos subiram de US$ 2,011 trilhões para US$ 2,157 trilhões.



(FOLHA DE S. PAULO, FOLHA DINHEIRO, 21/10/2003)






SNOW FALA EM JURO MAIS ALTO E CONFUNDE MERCADO



DA REDAÇÃO


No mesmo dia em que divulgou o pior resultado para um ano fiscal de sua história, o Tesouro dos EUA se esforçou ontem para esclarecer declarações de seu secretário, John Snow.


Snow, equivalente nos EUA ao ministro da Fazenda no Brasil, disse, em entrevista ao jornal "The Times", de Londres, que espera uma alta nas taxas de juros, conforme a recuperação econômica ganhe fôlego. O mercado interpretou a afirmação como um sinal de que o Federal Reserve (banco central norte-americano) poderia elevar a taxa básica, hoje em 1% ao ano.


"Ficaria frustrado e preocupado se não houver algum movimento para cima", disse Snow, sobre os juros, na entrevista publicada ontem. Para o secretário, a elevação das taxas seria uma consequência da aceleração na atividade.


Como resultado, os investidores começaram a vender títulos do governo, especialmente de curto prazo, e as taxas subiram para os níveis mais elevados das últimas sete semanas.


Durante o dia, o Tesouro esclareceu que Snow não estava se referindo ao que fará o Fed com relação às taxas básicas de curto prazo. Os comentários do secretário seriam a respeito das taxas do mercado futuro, que, pela lógica, tenderiam a subir com o reaquecimento econômico.


"O secretário respeita a independência do Federal Reserve", disse Rob Nichols, porta-voz do Tesouro americano.



(FOLHA DE S. PAULO, FOLHA DINHEIRO, 21/10/2003)