EMBRATEL DIZ QUE É INDEPENDENTE DA WORLDCOM




ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO



Enquanto a imagem da WorldCom desabava no mundo, a Embratel tentava ontem se proteger do escândalo provocado por seu acionista controlador nos EUA, que admitiu ter cometido fraude contábil de US$ 3,8 bilhões.


O vice-presidente econômico-financeiro da Embratel, José Maria Zubiria, ocupou-se pessoalmente de tentar tranquilizar o mercado. A primeira providência foi enviar um comunicado à Bovespa. Em seguida, deu entrevistas sucessivas para passar a imagem de que a empresa está em situação sólida e não depende operacionalmente da WorldCom.


A direção da empresa demorou um pouco a reagir por causa do jogo do Brasil na Copa. O expediente na companhia começou às 13h, embora os diretores tenham chegado pela manhã.


"A repercussão sobre a Embratel é apenas de percepção. Não existe outro impacto, porque a empresa tem operado de maneira independente da WorldCom", sustentou Zubiria.


Para reforçar a declaração, disse que em duas ocasiões a Embratel contrariou o acionista controlador em defesa de seus próprios interesses.


A primeira ocasião, segundo ele, aconteceu em setembro de 2000, quando a WorldCom abriu uma empresa de dados e de internet no Brasil que acabou fechada por pressão da Embratel.


A segunda demonstração de independência, disse, aconteceu no ano passado, quando a direção da Embratel recomendou não distribuir dividendos aos acionistas. "A WorldCom já estava com problemas financeiros e tinha esperança de receber os dividendos", afirmou Zubiria.


ANATEL

O executivo admitiu que o reconhecimento da fraude pela WorldCom atingiu a imagem da Embratel, cujas ações preferenciais abriram em baixa de 26,57% na Bovespa.


"Não foram só as ações da Embratel que caíram. O evento da WorldCom, infelizmente, tem uma repercussão muito maior. É um momento de crise de credibilidade para muitas empresas", afirmou.


Zubiria disse que a empresa tem mantido a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) permanentemente informada sobre os fatos.


"Estamos cientes da necessidade de manter maior comunicação nesses tempos difíceis", declarou.


Segundo ele, a Embratel está organizada e seu balanço ""é limpo e transparente". Questionado se o escândalo com a WorldCom pode dificultar o acesso da companhia ao mercado financeiro, ele disse que a empresa obteve um empréstimo de US$270 milhões de um ""pool" de bancos no início do ano, com vencimento escalonado em 12, 18 e 24 meses e que não precisa voltar ao mercado por enquanto.


Além desse empréstimo, segundo ele, a Embratel obteve US$35 milhões para investimento com fornecedores, além de um financiamento de US$130 milhões para a compra de um novo satélite a ser lançado no ano que vem pela subsidiária StarOne.





(FOLHA DE S. PAULO, DINHEIRO, 27/6/2002)