GRANDES
BANCOS FICAM EM SITUAÇÃO DELICADA
DA
REPORTAGEM LOCAL
Alguns
dos principais bancos do planeta estão em situação
delicada com a crise na gigante americana de telecomunicações
WorldCom. A empresa, envolvida em um dos maiores escândalos de
contabilidade da história, deve a essas instituições
cerca de US$ 4,5 bilhões.
Por
causa da ligação com a WorldCom, além de
correrem o risco de perder o capital investido nela, grandes bancos
perderam bilhões em valores de mercado no pregão de
ontem. O Citigroup encolheu US$11 bilhões enquanto o Bank of
America e o JP Morgan Chase perderam, respectivamente, US$3,9 bilhões
e US$2,8 bilhões.
Segundo
uma fonte próxima a empresa, esses bancos já se
recusaram a emprestar mais dinheiro à WorldCom, o que a coloca
mais perto da falência. Para limitar as possíveis
perdas, os grandes bancos parcelaram os pagamentos dos empréstimos
entre si. Mas, os recentes prejuízos das instituições
com falências e intervenções na Argentina fazem
com que empréstimos de risco como os feitos à WorldCom
causem grandes preocupações no mercado.
De
acordo com a Loan Pricing, empresa de análise de empréstimos
americana, Citigroup, Bank of America e JP Morgan Chase emprestaram
no mês passado US$ 2,65 bilhões à WorldCom. Esses
três bancos repassaram esse empréstimo a 25 outras
instituições financeiras do planeta, entre elas o
holandês ABN Amro, o alemão Deutsche Bank e o japonês
Tokyo-Mitsubishi.
A
WorldCom deve mais US$1,5 bilhão ao JP Morgan e ao Citigroup
por um sistema de crédito pelo qual pode dar como as cobranças
de seus usuários como garantia de pagamento. A empresa teria
ainda um débito de US$350 milhões com os bancos
Toronto-Dominion, do Canadá e o Bank of New York.
O
Citigroup afirmou que sua exposição à WorldCom
é, no total, de US$375 milhões. O JP Morgan não
quis divulgar sua exposição à empresa, mas o
mercado estima que ela seja de cerca de US$40 milhões. O Bank
of America não divulgou o quanto a empresa deve a ele, e
afirmou que as estimativas do mercado não são
corretas.
(FOLHA
DE S. PAULO, DINHEIRO, 27/6/2002)