ESCÂNDALO
Departamento
de Justiça acusa empresa de destruir documentos a fim de
obstruir investigações sobre a Enron
EUA
ABREM PROCESSO CONTRA A ANDERSEN
DA
REDAÇÃO
O
Departamento de Justiça dos EUA abriu ontem um processo
criminal contra a Arthur Andersen, uma das cinco maiores empresas de
auditoria do mundo. A empresa, sob risco de venda ou até
falência, é acusada de obstruir as investigações
do colapso da empresa energética norte-americana Enron.
O
indiciamento criminal, de oito páginas, é até
agora o principal desdobramento dos dois meses de investigação
da Justiça norte-americana. O governo quer saber o que levou à
quebra da Enron. A concordata, pedida em dezembro, é a maior
da história.
A
Andersen, cuja sede fica em Chicago, era a encarregada de auditar os
balanços da companhia energética. A Enron é
suspeita de ter cometido fraudes contábeis que, em tese,
deveriam ter sido detectadas pelos auditores.
Durante
as investigações surgiram evidências de que os
auditores destruíram documentos. A Andersen nega que os
arquivos eliminados fossem relevantes, mas o governo acredita que
eles eram provas importantes para o processo.
Segundo
os promotores de Justiça, a destruição de
arquivos ocorreu em vários escritórios, e não só
na sede da Enron, em Houston (Texas). "Além de picar
[papéis" e deletar arquivos em Houston, foram dadas
instruções para que funcionários da Andersen que
trabalhavam para a Enron em Portland (Oregon), em Chicago (Illinois)
e em Londres (Inglaterra) tivessem a certeza de que documentos também
fossem destruídos naqueles lugares", diz o
indiciamento.
A
Andersen auditou as contas da Enron até janeiro, quando teve
seus serviços dispensados pela empresa. Em janeiro, a
companhia admitiu que alguns de seus funcionários destruíram
documentos que estavam sendo procurados por investigadores.
Nenhum
funcionário da Enron foi indiciado individualmente, mas as
investigações prosseguem. A multa máxima para as
acusações contra a companhia é de US$ 500 mil,
além de cinco anos de prisão.
A
auditoria enfrenta uma fuga de clientes e já havia dito que um
processo criminal a colocaria "em grave ameaça". O
indiciamento também deve enterrar seus planos de ser adquirida
por uma de suas concorrentes.
(FOLHA
DE S. PAULO, DINHEIRO, 15/3/2002, P. B-12)