“No domingo, 5 de outubro, no bairro do Catete, no Rio, uma equipe prendeu o estudante Waldir José Quadros e Serjão. Os dois tinham vida legal, emprego, endereço regular, mas estavam cada vez mais envolvidos com a máquina do Partido, substituindo os dirigentes afastados por questões de segurança.
Levados para o quartel da Polícia do Exército, foram torturados sem parar.
Nenhuma pergunta, só pancadas e choques elétricos.
Antes de deixar o quartel para ser levado a São Paulo, para o Doi-Codi, um homem disse a Serjão:

Você não vai sair vivo dessa. Me dê o nome de um parente próximo para quem você quer que seja devolvido seu corpo.

Soube da prisão, alguns dias mais tarde, quando a família localizou seu paradeiro no Doi-Codi de São Paulo.
Pouco depois, o deputado Alberto Goldman e Roque Citadini, presidente da Juventude do MDB, denunciaram as duas prisões em notas oficiais.”



(Paulo Markun. “Meu querido Vlado”, 2005, p. 95)