HOMENAGEM AO JORNALISTA OTÁVIO FRIAS DE OLIVEIRA
Tribunal
de Contas do Estado de São Paulo
11ª Sessão
Ordinária do Tribunal Pleno, dia 9 de Maio de 2007
Senhores
Conselheiros
Senhor Procurador-Chefe da Procuradoria da Fazenda do
Estado
Senhores Funcionários
Senhoras e Senhores
São
Paulo e o Brasil perderam, em dias recentes, a figura notável
de um dos grandes defensores da liberdade de imprensa do país.
Devo
reconhecer, mesmo, que foi a própria liberdade de imprensa do
Brasil que perdeu um dos seus mais ilustres paladinos.
Realmente,
todos estamos lamentando o desaparecimento – embora em idade
provecta mas em pleno exercício de suas atividades – do
empresário e jornalista Otávio Frias de Oliveira,
editor da FOLHA DE S. PAULO.
O noticiário do seu
falecimento destacou, com ênfase, e eu aqui repeti, a sua
condição de editor dessa grande Folha da nossa
Imprensa. Talvez porque tenha sido grande empresário
jornalístico, mais do que jornalista propriamente dito.
Que
fosse assim, e assim mesmo a atuação da Imprensa muito
lhe deveu, quer em liberdade, quer em amplitude tecnológica, a
serviço dessa liberdade.
Pode-se dizer que seu grande
compromisso, como ele próprio dizia era com a notícia,
com a verdade.
E assim foi o impulso que sempre imprimiu às
atividades jornalísticas.
Trabalhador, amanheceu cedo
para a vida, iniciando-se no Serviço Público, na
Secretaria da Fazenda do nosso Estado.
Logo mais, vê-mo-lo
Empresário, destacando-se pelo pioneirismo, com sua
extraordinária obra de transformação de um
modesto jornal e em situação pouco promissora, em um
grande império editorial, de reconhecida relevância para
o nosso País, transcendendo para o continente e para o mundo,
tal a projeção e a importância que alcançou,
sob sua competente orientação e direção.
Essas
qualidades soube passar para os filhos, associados de há muito
na condução da Empresa e do Jornal.
Esta grande
ação só foi possível pela visão
empresarial, pelo idealismo, pela perseverança, pelo trabalho
incansável e indormido, pela audácia no adquirir
pioneiramente tecnologias novas e colocá-las a serviço
da missão que adotara.
Relevante foi o empenho com que
construiu seu Império e suas trincheiras, de modo pluralista e
aberto às diversas correntes de opinião, muito
contribuindo para a consolidação de nossas Instituições
Democráticas.
Nesta hora de dor e de saudade, inclino o
meu pensamento para a Excelentíssima Família de Otávio
Frias de Oliveira: sua digníssima esposa, seus filhos e
filhas, que tanto podem honrar-se e consolar-se pelo Chefe e Pai,
Empresário e Cidadão como os que melhores tenham
sido.
A esta Família rendo, neste momento, o meu
reconhecimento e a minha homenagem, e peço licença para
destacar a pessoa do ilustre filho – Otávio Frias de
Oliveira Filho – meu contemporâneo de Faculdade de
Direito do Largo São Francisco.
Justamente, essa
qualidade de colega do filho, levou-me a conhecer o pai, em vários
fins-de-semana, na Fazenda do Vale do Paraíba, quando por
muitas horas podíamos conversar e aprender sobre os problemas
do país.
Nesta convivência e diálogo, o
Otávio Frias de Oliveira mostrava, com sua maturidade, uma
visão de Brasil que, nós, alunos, muitas vezes não
tínhamos alcançado, mas então aprendíamos.
Como
terminar esta nossa homenagem? Creio que posso repetir algo do
noticiário sobre os seus funerais, como um silencioso, mas
profundo preito: “Não se ouviram discursos. Não
houve aplausos. O caixão desceu silenciosamente à
sepultura. Nessa hora, o sol aparecia”.
Sala
das Sessões, 09 de maio de 2007
ANTONIO ROQUE
CITADINI
PRESIDENTE