AVANÇOS DA EDUCAÇÃO APÓS A CONSTITUIÇÃO DE 1988


A situação em que se encontra a Educação no país é um trágico mistério.

Avaliações, como a do Enem, recebem uma super exposição na mídia e trazem, como conseqüência, críticas de todos os lados.

Inegável que há coisas positivas e negativas no setor.

Com a regra de gasto obrigatório (definida na Constituição de 1988), as muitas cidades que investiram corretamente nestes quase 20 anos registram grande avanço na área do ensino. Outras, que por diversas razões investiram menos, e até mal, têm, como resultado, uma péssima situação.

Nesse tempo surgiram novas leis, como a que criou o Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental) ocasionando mudanças benéficas.

Não há dúvida que o quadro, muitas vezes pintado como caótico (falta de escolas; períodos pequenos de estudos; etc), já não é realidade em boa parte de cidades pequenas e médias - nas quais os investimentos em infraestrutura foram adequadamente aplicados.

É bem verdade que o quadro dramático está nas grandes regiões metropolitanas, onde não está resolvido o problema básico de escola para todos os alunos, não se tendo sequer a implantação da jornada ampliada do período de aulas.

Portanto, fica claro que quando se resolvem os problemas básicos de infraestrutura é possível avançar, melhorando a qualificação dos professores, oferecendo-lhes e aos alunos recursos instrumentais adequados e até investindo na sofisticação de material didático.

O quadro mostra que cada cidade está num patamar, permitindo, assim, uma situação que atende a todos os apetites da mídia jornalistica: "o ensino está em crise", dirão uns; "o ensino está fazendo uma revolução", dirão outros.

Procurando aclarar esta situação o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo vai aproveitar os 36 seminários que fará realizar em todas as regiões do Estado, e mostrará os bons exemplos de cidades que avançaram nesta área, e também discutirá as mudanças na fiscalização e na modernização do controle. Em cada região se instalará uma mesa com 5 prefeituras oferecendo-lhes a oportunidade para dizerem o que estão fazendo para melhorar o ensino. Cada uma mostrará o caminho que tomou, a situação em que se encontra e o que pretende fazer.

Tendo a Constituição de 1988 resolvido o principal problema da área da educação - o financiamento - e com as melhorias trazidas pelo Fundef e agora Fundeb (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico) cada município pode e deve fazer a sua parte, para que se tenha um melhor quadro, com menos disparidades.


Antonio Roque Citadini, Conselheiro-Presidente do TCE-SP


(Blog de Luís Nassif, http://luisnassif.blig.ig.com.br/, 07/03/2007, 7h20)