ALCKMIN DIZ NÃO TEMER APURAÇÃO



DAIENE CARDOSO


Governador afirmou que atual e ex-secretário serão ouvidos


O governador Geraldo Alckmin disse que não teme a investigação da suposta anistia fiscal concedida em 1998 à Restco Comércio de Alimentos (registro oficial do McDonald’s na época). O secretário estadual da Fazenda, Eduardo Guardia, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre o caso à Comissão de Finanças da Assembléia Legislativa. “Ele (Guardia) vai ser ouvido, sim. Vai ser ouvido o atual e os secretários da época. Transparência absoluta”, disse Alckmin, ontem.


O pedido de convocação do ex-secretário Yoshiaki Nakano e outros ex-funcionários da Fazenda à época, no entanto, foi barrada pela bancada governista na Assembléia, anteontem. Alckmin evitou polemizar sobre o assunto e não comentou quanto o Governo do estado teria perdido nos últimos anos com a anistia de ICMS.


“A anistia, a Assembléia Legislativa aprovou. Pode até se discutir o mérito disso. Mas o Governo não tem absolutamente nada a evitar, nenhum tipo de fiscalização”. Curiosamente, ele reclamou da queda da arrecadação do ICMS (que responde por 80% da receita, segundo o próprio Governo). Alckmin admitiu que, com a queda, pode ser obrigado a cortar investimentos.


O caso da anistia fiscal está sendo investigado pelo Ministério Público, que acusa o ex-diretor de administração tributária Roberto Antônio Mazzonetto de crime de improbidade administrativa. A equipe de fiscais dele multou o McDonald’s em R$ 25,9 milhões por sonegar ICMS. As multas foram canceladas depois que uma emenda aprovada pela Assembléia anistiou os débitos com multas e tributos. Mazzonetto e o McDonald’s são réus em ação na 11ª Vara da Fazenda Pública.



(DIÁRIO DE S. PAULO, BRASIL, 23/5/2003)







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