GOVERNO
EXIGE QUE EMPRESA FISCALIZE A PRÓPRIA OBRA NO TIETÊ
O
governo estadual decidiu deixar que as próprias empreiteiras
responsáveis pela obra do projeto de despoluição
do rio Tietê também façam a fiscalização
do serviço.
A
decisão, porém, já sofreu a primeira derrota no
TCE (Tribunal de Contas do Estado), que definiu como temerária
à autofiscalização e pediu que o edital da
concorrência pública seja reformulado. Por causa dessa
medida, as obras podem sofrer atraso de pelo menos três meses,
já que o TCE deverá pedir a suspensão da
licitação, caso a Sabesp (Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo) não altere as
regras do edital.
A
fiscalização, segundo as normas da licitação
promovida pela Sabesp, será feita por meio de televisionamento
montado pelas próprias construtoras ao longo do rio, nos
coletores de esgoto e estações de tratamento.
Chamada
pelos empresários ironicamente de "tv esgoto", o
serviço seria feito por um circuito de câmeras que
permitiria saber se o contrato está sendo cumprido à
risca e com a qualidade exigida pela administração
estadual.
O
programa de despoluição do rio Tietê está
orçado em R$400 milhões e é louvado pela
publicidade oficial como um dos principais feitos do governo Geraldo
Alckmin.
O
conselheiro do TCE Antonio Roque Citadini determinou que a Sabesp
reestude o caso e evite a autofiscalização. No seu
entendimento, a companhia é obrigada a contratar outras
empresas, e não as próprias empreiteiras das obras,
para executar o serviço.
Historicamente,
lembra Citadini, a Sabesp sempre designou firmas desligadas das
empreiteiras para fiscalizar construções, o que
possibilita isenção. A denúncia foi feita por
empresas que se julgaram prejudicadas. (FSP)
O
PROJETO DE DESPOLUIÇÃO DO RIO TIETÊ
As
obras de despoluição do rio Tietê ocuparão
os 22,5km de extensão da marginal Pinheiros
1-A
principal intervenção será a instalação
de um interceptor de 11km de comprimento e 3,5 metros de diâmetro
ao longo do curso do rio Pinheiros, formador do Tietê. O
interceptor levará o esgoto doméstico de uma
determinada área para a estação de tratamento
(ETE), em Barueri.
2-Haverá, ainda, a ligação
da rede local de esgoto de áreas como a av. Eng. Luís
Carlos Berrini e a Juscelino Kubitscheck, na zona sul, às
margens da represa Billings.
3-Uma das metas do projeto de
despoluição prevê o fim do mau cheiro do rio
Pinheiros – que passará a ter até 2mg de oxigênio
dissolvido por litro de água e algumas espécies vivas –
e a redução da quantidade de esgoto lançado no
rio Tietê de 397 para 270 toneladas/dia.
4-Serão
instalados 141km de coletores e interceptores e de 1.180km de rede na
região metropolitana (desse total, cerca de 800km na capital),
aumentando a cobertura de coleta de esgoto doméstico de 80%
para 90% dos domicílios paulistanos. Cerca de 70% do total de
efluentes produzidos passarão a ser tratados (hoje o
percentual gira em torno de 60%).
RESPOSTA
ESTADO
DIZ QUE LICITAÇÃO ESTÁ DENTRO DA LEI
O
governo do Estado de São Paulo informou, por meio da diretoria
da Sabesp, que todo o processo de concorrência pública
da segunda etapa do projeto de despoluição do rio Tietê
obedece rigorosamente às normas estabelecidas pela lei 8.666,
de 1993, que trata das licitações no país.
Segundo
a cúpula da Sabesp, o fato do televisionamento ser montado e
dirigido pelas próprias empreiteiras, com câmeras
instaladas nos interceptores, estações de tratamento e
esgotos, não diminuirá em nenhum momento o rigor no
acompanhamento das obras.
A
direção da companhia de saneamento paulista informou
que terá acesso a todas as imagens registradas, o que impede
de haver qualquer fraude nos serviços prestados pelas
construtoras.
(FSP)
(AGORA,
SÃO PAULO, 24/6/2002, P.6)
LEIA
MAIS:
- Segunda
Câmara,11/6/2:Representação.SABESP deve
regularizar licitação.Serviço de
televisionamento.