CDHU ACELERA OBRAS PARA RECUPERAR ATRASO



Segundo presidente, erros em programas paralisaram entrega de casas populares


UILSON PAIVA


O presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Luís Antônio Pacheco, admitiu ontem que as irregularidades encontradas em dois programas da companhia – o Chamamento Empresarial (que previa a compra pelo governo de unidades prontas erguidas por empreiteiras) e o de mutirão – foram os causadores da quase paralisação da entrega de casas populares nos últimos dois anos.


Em 1999 e 2000, a produção de unidades habitacionais pela CDHU atingiu os números mais baixos. No ano passado, por exemplo, foram entregues apenas 5.629 unidades contra 52.167, em 1998. Para compensar o atraso, a CDHU deverá atingir seu recorde positivo de entrega de habitações justamente no ano final – e eleitoral – da administração de Mário Covas.


Hoje já chegam a 145 os contratos da companhia julgados irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) – abrangendo o final da gestão Luiz Antônio Fleury Filho e os dois mandatos de Covas. Também tramitam na Justiça ações de improbidade administrativa envolvendo ex-administradores, entre eles o ex-presidente Goro Hama. Além dos dois programas citados por Pacheco, foram encontradas irregularidades nos aditamentos de contratos antigos.


“Diminuímos o ritmo porque tivemos de tomar cuidado para não repetir os eventuais erros do passado”, afirmou Pacheco. A paralisação das obras para as “correções” dos dois programas fez com que ao final de 2000 houvesse uma sobra de R$ 633 milhões no caixa da companhia – quantia suficiente para a construção de 42,2 mil unidades, sem contar com o preço dos terrenos. Somente na capital, o déficit habitacional é calculado em 400 mil habitações.


Sem utilização, o dinheiro foi aplicado num fundo de renda fixa na Nossa Caixa. “Imaginávamos que no segundo semestre teríamos um determinado volume de pagamento, o que não aconteceu, e os recursos apareceram”, afirma o presidente da CDHU. Para compensar a pausa, os dois anos finais da gestão Covas/ Geraldo Alckmin terão recursos superlativos: cerca de R$ 1 bilhão. A previsão é de que sejam entregues 40 mil unidades neste ano e 55 mil em 2002, atingindo assim a previsão de 115 mil casas feitas para o segundo mandato de Covas.


Pacheco afirma que a aceleração das obras no fim do mandato não tem razão eleitoral. “Este raciocínio não fecha porque na eleição municipal, no ano passado, nosso candidato (Geraldo Alckmin) tinha chance de ir para o segundo turno e os mutirões estavam paralisados”, observa. “Seria burrice de nossa parte fazer isso para obtermos vantagens agora.” Das 50 mil unidades em construção no momento, 64% ficam no interior do Estado.


(O ESTADO DE S. PAULO, POLÍTICA, 14/2/2001, P. 9)



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- O Estado de S.Paulo,14/2/2001: CDHU: TCE cobra providências sobre contratos irregulares.






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