FHC
quer mudar estrutura do TCU
DA
REPORTAGEM LOCAL
O
presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem que vai
apresentar uma proposta de emenda constitucional para modificar a
estrutura do TCU (Tribunal de Contas da União) e dos tribunais
de contas dos Estados e dos municípios.
Segundo ele, a
proposta "dá novas regras para a composição
e funcionamento do TCU, acentuando a independência e o perfil
técnico dos seus membros e o rodízio das nomeações".
Atualmente, a Constituição estabelece que o TCU
será composto por nove ministros, sendo um terço
escolhido pelo presidente, com aprovação do Senado, e
dois terços, pelo Congresso.
Os ministros são
escolhidos entre brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos e têm
mandato até completarem 70 anos.
É preciso ter
"idoneidade moral e reputação ilibada" e
"notórios conhecimentos jurídicos, contábeis,
econômicos e financeiros ou de administração
pública".
Também é preciso ter "dez
anos de exercício de função ou de efetiva
atividade profissional" que exija esses conhecimentos.
A
forma pela qual os membros do TCU e dos tribunais estaduais são
escolhidos permite que os órgãos de fiscalização
sejam compostos, em sua maioria, por políticos aliados dos
governos.
Em junho do ano passado, o ex-senador Guilherme Palmeira
(PFL) foi nomeado ministro do TCU. Em 1994, ele chegou a ser
candidato a vice-presidente na chapa de FHC, mas renunciou após
ser acusado de apresentar emendas ao Orçamento da União
beneficiando obras de uma empreiteira baiana.
Palmeira teve três
mandatos de deputado estadual em Alagoas (1966-78) e foi eleito
senador em 1983. Também foi governador de Alagoas (1979-82) e
prefeito de Maceió (1989-90).
No Tribunal de Contas do
Estado de São Paulo, a situação não é
diferente. A escolha é alternada entre a Assembléia
Legislativa e o governador do Estado.
Apenas um conselheiro foi
escolhido na gestão do governador Mário Covas
(1995-2002). O atual presidente do tribunal, conselheiro Robson
Marinho, era secretário de Estado da Casa Civil de Covas até
ir para o TCE-SP.
Da
mesma forma, o conselheiro Antonio Roque Citadini, principal opositor
do governo no TCE, foi nomeado no governo de Orestes Quércia
(PMDB). Ele havia sido advogado do partido e exercia o cargo de
presidente da Comgás, por designação de Quércia,
até ser nomeado para o tribunal.
Também
o prefeito de São Paulo, Celso Pitta, nomeou Roberto Braguim,
seu ex-chefe de gabinete, para participar do TCM (Tribunal de Contas
do Município).
Dos cinco conselheiros do TCM, dois foram
escolhidos na gestão Paulo Maluf (1993-96) e dois na gestão
Pitta.
Os pareceres favoráveis do tribunal são
largamente utilizados pelos dois para contestar irregularidades,
apresentadas pelo Ministério Público do Estado de São
Paulo, em contratos municipais firmados durante suas administrações.
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