TCE
aprova contas de 99 de Covas
ROBERTO
COSSO
DA REPORTAGEM LOCAL
O
Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo aprovou ontem,
por unanimidade, as contas do governo do Estado de São Paulo
do exercício de 1999, mas fez recomendações ao
governador Mário Covas (PSDB). Entre elas, que o governo
reduza as despesas com pessoal e regularize o pagamento de
precatórios (dívidas de sentenças judiciais).
Há
mais de 600 pedidos de intervenção no Supremo Tribunal
Federal contra o Estado de São Paulo pelo não-pagamento
de precatórios.
O relator Eduardo Bittencourt Carvalho
afirmou ser irrelevante o fato de Covas ter gasto 63,80% da receita
do Estado com pessoal -acima do limite legal de 60%- porque houve
decréscimo do percentual em relação ao ano
anterior, quando esse tipo de gastos consumiu 64,68% da receita.
O
relatório diz ainda que o governo cumpriu o dispositivo da
Constituição do Estado que obriga a aplicação
de pelo menos 30% da receita na educação. Covas teria
aplicado 30,35% em 1999.
O relator fez nove recomendações
ao governo, a maioria delas em relação à
necessidade de criação de mecanismos de controle
individual dos recursos recebidos do governo federal para a aplicação
exclusiva na educação. Não haveria contas
vinculadas para o "dinheiro carimbado".
O conselheiro
Cláudio Ferraz de Alvarenga apresentou um voto em separado,
assinado também pelo conselheiro Fulvio Julião Biazzi,
no qual critica o governo pelos atrasos nos pagamentos de
precatórios. O governo teria pago apenas 40,78% dos
precatórios no ano passado e eles seriam referentes a
exercícios anteriores.
O conselheiro Antonio Roque Citadini
pediu que fosse formado um novo processo para apurar melhor a
destinação de recursos estaduais para a educação.
Para ele, a aplicação de 30,35% do Orçamento não
está comprovada documentalmente.
Citadini ressaltou que o
governo reduziu a destinação de recursos para a saúde,
que havia recebido 8,14% do Orçamento em 97, 8,33% em 98, mas
recebeu apenas 5,81% no ano passado.
"Este é um dado
de preocupação, porque o crescimento populacional
indica sempre a necessidade de alocação de maior volume
de recursos para a saúde, o que não vem ocorrendo",
diz.
O conselheiro diz estranhar o fato de o DER (Departamento de
Estradas de Rodagem) ter realizado o maior investimento do governo no
setor de transportes -cerca de R$ 419 milhões.
As
principais rodovias do Estado foram privatizadas e o DER administra
apenas a parte da malha rodoviária que não está
sob regime de concessão.
(Publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 15/6/2000)
LEIA
MAIS:
- Declaração de Voto de Citadini - Contas do Governo - 1999.
-
O
Estado de S.Paulo,15/6/2000: TCE diz que faltou transparência
nas contas de SP.
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