TRIBUNAL CONSIDERA IRREGULAR MAIS UM CONTRATO DA CDHU


Mais um contrato da Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), para construção de moradias em regime de mutirão, foi considerado ilegal pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ontem, a segunda câmara do TCE julgou irregular o contrato da empresa estatal com a União Comunitária de Assistência ao Povo da Favela Cabuçu. No valor de R$ 847.972,00, o acordo estabelecia a construção de 80 apartamentos no conjunto Jaraguá A-7, na Zona Oeste, e foi firmado em junho de 96. Por unanimidade, foi aprovado o voto do relator do processo, conselheiro Roque Citadini.
Seguindo parecer da Assessoria Técnica do Tribunal, Citadini confirmou a irregularidade do contrato. Em vistoria no local, os técnicos do órgão constataram vários problemas: contratação de mão-de-obra de terceiros, que não seguem as regras dos contratos de mutirões; restrição na participação dos mutirantes; custo elevado dos terreno; custo elevado das obras; má qualidade na execução dos conjuntos; e favorecimento às empresas Via Engenharia e CBPO.
De acordo com Citadini, a Via Engenharia foi contratada por R$ 488.000,03, mais da metade do valor total do contrato analisado, para os serviços de fundação e estrutura. Outras empresas foram contratadas para serviços de contabilidade, alvenaria, hidráulica e pintura, entre outros serviços, por R$ 140.404,80. ‘‘A realização da obra por serviços contratados pela associação, sem licitação, elevou o seu custo, uma vez que a escolha das empresas não obedece a qualquer critério seletivo’’, observou Citadini em seu relatório.
Segundo o conselheiro, com a contratação de terceiros a casa própria por meio do serviço de mutirão ficou 73,35% mais cara do que a comprada pelo programa empreitada global. ‘‘Diante do exposto, o meu voto é no sentido da irregularidade do contrato de licitação, bem como dos termos aditivos’’, afirmou o relator em seu voto. Citadini ainda recomendou que ‘‘a CDHU estabeleça, com clareza, critérios que permitam o acesso de forma democrática às associações interessadas em celebrar contratos para a construção de casas sob o regime de mutirão’’.


(PUBLICADO NO "DIÁRIO POPULAR", EM 23/8/2000, P. 10)


LEIA MAIS:


-
Agora, 23/8/2000: Mutirão de Covas é muito caro, diz TCE.
- Segunda Câmara, 22/8/2000: Julgado irregular contrato da CDHU - mutirão União Com. Assist. Povo da Favela Cabuçu .

- Segunda Câmara, 25/7/2000: Julgado irregular contrato da CDHU - mutirão Ass. Trab. Sem Terra Zona Norte.
- Segunda Câmara,11/7/2000: Julgado irregular mutirão CDHU - Conj. Res. Vila Verde
- Segunda Câmara,11/7/2000: Julgado irregular mutirão CDHU x Assoc. de Mulheres C.Jesus.
-
Diário Popular,11/7/2000: Promotores vão investigar gastos de Covas com a CDHU.
- Diário Popular,9/7/2000: CDHU: Mutirão faz casas mais caras que obra de empreiteiras.

- Diário Popular,9/7/2000: Mutirão: CDHU destaca participação popular.
- Diário Popular,9/7/2000: CDHU: Tucanos barraram abertura de CPI.
-
Diário Popular,13/4/2000: TCE aponta irregularidades em 96 mutirões da CDHU.
-
Despacho, 11/3/2000. Irregularidades. Contrato CDHU x Assoc. Mutirantes/Sem Terra.
- O Estado de S.Paulo,25/2/2000: Julgado do TCE leva MP a entrar com ação.
-
O Estado de S. Paulo, 14/1/2000: CDHU - Alterações em contratos serão investigadas.
- Folha de S. Paulo, 11/1/2000: Irregularidades geram saída do presidente da CDHU.
- Agora S. Paulo, 11/1/2000: Contratos julgados irregulares pelo TCE forçam mudanças na CDHU.
- Despacho de Citadini. 13/5/1999. Irregularidades: CDHU x Associação de Defesa dos Direitos da Cidadania “Adão Manoel da Silva”.
- Despacho de Citadini. 16/10/1997. Irregularidades: CDHU x Sociedade União de Amigos de Itaberaba e Adjacências.





VOLTAR