CDHU
PROGRAMA
PREVIA GASTO MENOR
Inspirado
em um projeto habitacional implantado por Mário Covas quando
prefeito nomeado da Capital (83-85), o chamado Programa Paulista de
Mutirão deveria ser caracterizado pela efetiva participação
dos mutirantes e da comunidade na construção de casas
populares, conforme o plano original da Companhia de Desenvolvimento
Habitacional e Urbano (CDHU).
Essa
participação direta do mutirante reduziria
significativamente o custo de construção de casas
populares, já que a contratação de mão-de-obra
especializada somente ocorreria quando o serviço não
pudesse ser realizado pelos mutirantes.
Pelo
programa, a CDHU estatal responsável pela construção
de unidades habitacionais populares firmaria contratos, de
forma aleatória, com associações de mutirantes
que, por sua vez, gerenciariam a obra.
Conforme
informa a assessoria de imprensa da CDHU, de 95 início
do primeiro governo de Mário Covas até hoje
foram entregues, na região metropolitana, 13.200 unidades
habitacionais construídas em regime de mutirão. Outras
12.116 estão em execução. Já no Interior,
9.621 moradias foram entregues e outras 14.593 estão em
execução.
É
um dos programas de maior orgulho do político Mário
Covas que, na maioria de seus discursos em solenidades da CDHU,
ressalta seu caráter democrático e de fomento à
participação popular.
|
PRINCIPAIS IRREGULARIDADES CONSTATADAS NO PROGRAMA DE MUTIRÃO |
|
- Contratação de empreiteiras para execução de serviços de responsabilidade exclusiva dos mutirantes; |
|
- Relatórios de medições incompatíveis com o andamento da obra; |
|
- Execução da obra em método construtivo diferente do contratado; |
|
- Gastos com mão-de-obra acima do contratado; |
|
- Preços elevados dos terrenos (o que eleva o custo da unidade habitacional); |
|
- Delegação de serviços a uma privilegiada casta de empresas indicadas, que substituíram o trabalho dos mutirantes; |
|
- Adoção do sistema pré-moldado, que, segundo o TCE, teria beneficiado as empresas Via Engenharia e CBPO, cujos serviços consumiram 60% do valor total da obra; |
|
- Pagamentos efetuados diretamente pela CDHU às empreiteiras citadas; |
|
- Emissão de notas fiscais exclusivamente de serviços, quando há tambem fornecimento de material de construção pelas empresas, o que pode configurar sonegação de impostos com anuência da CDHU. |
|
Fonte: Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. |
(Publicado no jornal "Diário Popular", caderno "Economia & Política", em 9/7/2000, p.3)
LEIA
MAIS:
-
Diário Popular,9/7/2000: CDHU: Mutirão faz casas
mais caras que obra de empreiteiras.
-
Diário
Popular,9/7/2000: Mutirão: CDHU destaca participação
popular.
-
Diário
Popular,9/7/2000: CDHU: Tucanos barraram abertura de CPI.
-
Diário
Popular,13/4/2000: TCE aponta irregularidades em 96 mutirões
da CDHU.
-
Despacho,
11/3/2000. Irregularidades. Contrato CDHU x Assoc. Mutirantes/Sem
Terra.
-
O
Estado de S.Paulo,25/2/2000: Julgado do TCE leva MP a entrar com
ação.
- O
Estado de S. Paulo, 14/1/2000: CDHU - Alterações em
contratos serão investigadas.
-
Folha
de S. Paulo, 11/1/2000: Irregularidades geram saída do
presidente da CDHU.
-
Agora
S. Paulo, 11/1/2000: Contratos julgados irregulares pelo TCE forçam
mudanças na CDHU.
-
Despacho de Citadini. 13/5/1999. Irregularidades: CDHU x Associação
de Defesa dos Direitos da Cidadania Adão Manoel da
Silva.