DERSA


"EDITORIAL DA FOLHA de 31/7 (“Corrupção na Dersa”) afirma que "causa estranheza a persistência desses episódios numa gestão que é tida como idônea". Referia-se o editorial a reportagem publicada em 28/7 pelo jornal "Agora" e também pela Folha a respeito de despacho do conselheiro Roque Citadini em processo sobre irregularidades na Dersa.
No mesmo dia da publicação das reportagens, o governo do Estado enviou carta ao "AGORA", publicada na edição de 29/7, que certamente o editorialista da Folha não leu. A "persistência desses episódios" nada mais é que uma nova (e tardia) etapa de um velho assunto em relação ao qual apenas o governo do Estado agiu com rapidez. Trata-se de concorrência pública feita no governo Fleury para contratação de serviços de vigilância, do qual saiu vencedora a empresa Power, que o editorial lembra pertencer "a um velho amigo do governador Mário Covas". Causa estranheza a persistência dessa lembrança, pois:
1) Logo no início da gestão, em 1995, o governador Covas determinou a revisão de todos os contratos do Estado.
2) Em 12/7/95 a Dersa instaurou auditoria interna para apurar irregularidades cometidas no governo Fleury.
3) Em 14/8/96 a Corregedoria Geral da Administração (órgão do Executivo) abriu sindicância com base na auditoria da Dersa.
4) Em 31/10/96 o resultado da sindicância foi enviado pelo governo do Estado ao Ministério Público e à Dersa, para as providências cabíveis.
5) Em novembro de 96 a Dersa concluiu o processo de rescisão de contratos e lançou novas licitações para serviços de vigilância; os vencidos pela Power tiveram preços (no governo Covas) inferiores aos anteriores (no governo Fleury).
6) O mesmo relatório da Corregedoria do governo foi encaminhado em 6/12/96 ao Tribunal de Contas do Estado.
7) Em 2/1/97, a pedido do Ministério Público, a polícia abriu inquérito e em 10/2/98 o concluiu, indiciando os funcionários da Dersa (do governo Fleury) responsáveis pelas irregularidades.
8) Em 26/3/98 a Dersa entrou na Justiça para reaver valores pagos a mais; perdeu em primeira instância e recorreu ao Tribunal de Justiça.
9) Somente agora, em 28/7/99, o Tribunal de Contas do Estado se manifesta, pelo parecer do conselheiro Citadini, a respeito daquele mesmo relatório de sindicância da Corregedoria do governo enviado ao TCE em 6/12/96. Observe-se que o parecer do TCE repete em grande parte os termos da sindicância do governo.
A publicação do parecer do conselheiro Citadini foi o fato "novo" que provocou as reportagens do "Agora" e da Folha e o editorial da Folha. Note-se que a cada etapa das nove acima mencionadas a imprensa registrou os fatos, invariavelmente como se tratasse do assunto pela primeira vez.
Uma ação enérgica e responsável do governo, com seus naturais desdobramentos, foi mostrada aos leitores, a cada etapa, como uma nova "denúncia". Basta ler a cronologia dos fatos para saber quem agiu com presteza em defesa do dinheiro público e quem é amigo de quem.
E mais: documentos oficiais de posse da Folha demonstram que no governo Covas os contratos da Power tiveram redução de 25% e os da Tejofran de 58%, nos valores pagos entre janeiro de 1995 e janeiro de 1999. Registre-se, por último, que o mesmo editorial menciona como "fatos estranhos" a realização, pela empreiteira Construtécnica, de obras na "área cultural" - assunto que à época mereceu cabal esclarecimento do próprio governador Covas, em entrevista coletiva, e que a Folha registrou no dia seguinte." Osvaldo Martins, secretário de Comunicação do governo do Estado de São Paulo (São Paulo, SP)

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NOTA DA REDAÇÃO - O secretário refere-se extensamente apenas a um trecho do editorial em questão, onde, de resto, reconhece-se que o governo do Estado agiu para reparar o problema. Mas as empresas Power e Tejofran continuaram a firmar contratos com o governo estadual que têm merecido contestações do Tribunal de Contas do Estado.


(PUBLICADO NO JORNAL "FOLHA DE S. PAULO", EM 03/08/1999, P.1- 3)



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