REPRODUÇÃO DE FAC-SIMILE DE 19/10/1999


DE: CELSO SAMPAIO AMARAL NETO

PARA: DR. ANTONIO ROQUE CITADINI

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Prezado Dr. Antonio,

Foi com grande satisfação que tomamos conhecimento na data de ontem (18/10/99) de sua matéria publicada no Jornal Gazeta Mercantil, intitulada Auditoria x Consultoria.

É interessante que a nossa empresa tem tido ao longo dos últimos anos uma intensa e quase que solitária luta contra o "cartel" das empresas de auditoria, que estão se tornando verdadeiros supermercados de serviços, especializados em tudo, até mesmo em fazer "AUDITORIA".

Se não nos enganamos, até pouco tempo, os objetivos principais de uma empresa de auditoria foram aqueles representados em seu artigo, o de "fotografar o modus operandi" e prestar informações à alta direção da empresa.

Ocorre que este mercado está absolutamente em baixa, devido à forte reestruturação das empresas aliada a economia de custos, que levou quase à extinção deste serviço em empresas de médio porte, ou seja o mercado realmente encolheu muito nos últimos anos.

Tanto é verdade que no Brasil, houve uma urgente febre de fusões e aquisições, muito maior do que em outros Países.

Assim sendo, as empresas de auditoria, acharam outros caminhos e aproveitaram a oportunidade para atuarem na área de consultoria pura, ou seja enveredaram por vários outros segmentos "complementares" a sua atividade fim!

Nos Estados Unidos, até Bancas de Advocacia com conceito internacional foram incorporadas ao corpo técnico das empresas de Auditoria, já no Brasil estas empresas estão atuando fortemente na Avaliação das Empresas Estatais, realizando um serviço questionável, que em nosso entender é passível de inúmeros pontos obscuros, além de estar configurado como "não ético". Ficam assim as seguintes questões:

- Como podem as empresas de auditoria avaliar para as empresas que elas mesmas auditam?

- Como podem as empresas de auditoria muitas vezes avaliar e posteriormente virem a auditar os controladores desta empresa?

O que nos impressiona é falta de transparência e independência de uma empresa de auditoria que se sujeita a fazer uma Reavaliação do Ativo e Auditar o balanço da empresa, podendo ter influência em seus resultados e a Câmara de Valores Mobiliários - CVM, Banco Central, BNDES, e outras Instituições simplesmente ignorarem tal absurdo!

Sem entrar no mérito sobre a quantidade dos trabalhos de avaliação de imóveis que temos apreciado destas empresas, verificamos que além de serem supermercados, também fazem o papel de atravessadores, quarterizando através de suas "coligadas" diversos serviços a preços vil, para pequenas empresas ou profissionais liberais com qualificação técnica questionável.

Atualmente, após o escândalo do Banco Nacional S/A., foram criadas empresas cuja Razão Social são totalmente distintas das empresas de Auditoria a qual originou, para "não pegar mal" perante a opinião pública, em um evidente desrespeito à moralidade e a inteligência das pessoas bem informadas. E a independência das empresas; de Auditoria, é real?

Não discuto a habilidade inerente da empresa de Auditoria na realização de avaliações econômicas, visto ter inúmeros profissionais com esta habilidade, mas fazer parte

do negócio, participando em fusões, aquisições, avaliando, prestando consultoria jurídica e informática, jogando em todas as posições é no mínimo eticamente discutível.

Na área em que atuo, estamos sofrendo a concorrência desleal, fora da lei, dos corretores de imóveis, que avaliam e vendem os imóveis. Como pode alguém avaliar e ter interesse na comercialização do mesmo imóvel?

A Lei Federal 5.194/66 e a Resolução do Confea garantem ao Arquiteto ou ao Engenheiro dentro das respectivas especialidades o direito de assinar Laudos de Avaliação.

Lembramos que são de domínio público as expressões :

- Quem avalia não vende. Quem vende não avalia!

- Quem audita não avalia. Quem avalia não audita!

As frases são similares, pois dizem respeito ao mesmo conceito, um tanto quanto em falta hoje em dia: A ética!

E para terminar, Dr. Antonio, é motivo de espanto o convênio que o Governo de São Paulo tentou firmar com o CRECI, para avaliar o patrimônio do Estado visando futura alienação!

Isto mesmo, um Engenheiro, o Governador Covas, estava passando por cima de uma Lei Federal e quase ignorou tal feito se não fosse a gritaria do Instituto de Engenharia, do qual sou Diretor e do lbape (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia), entidade não governamental, reconhecida e com assento no Crea.

É louvável sua atitude e esperamos para o bem da sociedade que a sua luta seja a nossa luta. Conte conosco!

Atenciosamente,


AMARAL D'AVILA ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES

ENG. CELSO DE SAMPAIO AMARAL NETO

DIRETOR COMERCIAL



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