DERSA
TRIBUNAL APONTA PREJUÍZO DE R$14 MI
O TCE (Tribunal de Contas do Estado) descobriu a existência de seguranças fantasmas e de contratos superfaturados feitos pela Dersa empresa do governo do Estado. Relatório divulgado ontem pelo conselheiro Antonio Roque Citadini mostra que a empresa para R$9,12 por à empresa Power por cada homem/hora, enquanto outra empresa cobra R$3,54 pelo homem/hora diferença de 157,62% a mais. Somente no superfaturamento dos contratos, a Dersa desperdiçou R$12,3 milhões, de acordo com o conselheiro Citadini. A Power é de propriedade do empresário Antonio Dias Felipe, velho amigo do governador Mário Covas (PSDB) e padrinho de casamento de seu filho, Mário Covas Neto, o Zuzinha. O TCE também, verificou que 36 postos de serviços cujos seguranças foram remunerados pela Dersa jamais existiram. Eles consumiram R$285 mil dos cofres públicos do Estado. Além disso, a Dersa já entrou com uma ação na Justiça para pedir que a Power devolva R$1,4 milhão, referente à retirada da expectativa inflacionária, que estaria embutida no preço e acabou não ocorrendo, por causa do Plano Real. O relatório aponta ainda que duas outras empresas de segurança teriam prestado serviços ao Estado sem a documentação necessária para os serviços. Houve falsificação e uso de documentos através (sic) da substituição de boletins e inserção de valores, causando prejuízo ao erário, no valor de R$285.117,11, escreve Citadini no relatório. A apuração do TCE foi feita após a Corregedoria do governo estadual encontrar irregularidades nos mesmos contratos da Dersa. As empresas de Felipe doaram R$190 mil à campanha de Covas em 94 e são investigadas por diversos inquéritos civis no Ministério Público, sobretudo em relação aos serviços que prestaram para a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado). (RC)
OUTRO LADO
POWER E DERSA NÃO FALAM
As duas empresas envolvidas pelo relatório do Tribunal de Contas do Estado informaram que só comentariam hoje as conclusões de Citadini. A assessoria de imprensa da Dersa informou que o superintendente jurídico Oscar Emílio, que também é chefe de gabinete, aguardaria a publicação do relatório no Diário Oficial do Estado para se manifestar. O Agora entrou em contato com a assessoria de imprensa da Power às 17h30 de ontem e obteve a informação de que o diretor-geral da empresa, Lelivaldo Marques, já tinha ido embora. Só ele fala pela Power. (RC)
(PUBLICADO NO JORNAL AGORA S. PAULO, EM 28/07/1999, P.3)