ENTREVISTA
COM ANTONIO ROQUE CITADINI
Para
Tribunal, Déficit é sinal de má gestão.
O
Tribunal de Contas do Estado de São Paulo começa a
considerar, como fator relevante para aprovação ou
rejeição das contas das prefeituras, o controle sobre o
déficit orçamentário.
"Não
se admitem mais índices de déficits orçamentário
astronômicos, que eram parte de uma economia inflacionaria,
indexada, coisa que não existe mais", explica o
presidente do Tribunal, Antonio Roque Citadini.
A
estabilização da moeda da resgatou a importância
do orçamento para a administração pública,
diz. "Se o administrador fez um bom orçamento e
apresentou um resultado equilibrado esse é um indicador de que
a gestão ocorreu com normalidade. Se o orçamento foi
caótico, ainda que materialmente perfeito, e o resultado foi
um grande déficit, é sinal de que algo ocorreu de
errado", argumenta.
Ao
emitir parecer sobre as contas do prefeito, o Tribunal vai
considerar, não apenas o déficit orçamentário,
como as medidas de ajuste adotadas pela administração.
Se o município tem uma situação descontrolada de
orçamento, com déficit alto, e não apresenta
nenhuma medida para buscar o equilíbrio, é evidente que
o Tribunal não terá outro caminho que não
rejeitar a execução orçamentária e,
portanto, emitir um aparecer desfavorável", adianta
Citadini. Para o presidente do Tribunal de Contas, a introdução
de mais esse critério na avaliação das contas
públicas é algo "inovador".
"Ninguém
se preocupará com o déficit orçamentário
dos municípios, exceto o Tribunal de Contas."
Ele
reconhece que o ajuste na política econômica resultou em
queda na arrecadação, com conseqüências
diretas nas receitas orçamentárias. "Mas temos que
considerar também o empenho na arrecadação
municipal: as receitas próprias não podem ser
abandonadas". As prefeituras devem cobrar, adequadamente, os
seus tributos.
E
acrescenta: "A forma como o Tribunal está discutindo a
questão da execução e o déficit
orçamentário assusta muito as prefeituras. Mas é
impossível tangenciar: o déficit não condena a
prefeitura, mas é meio caminho andado para indicar que a
gestão foi ruim.
O
Tribunal tem autorizado as normas e padrões de auditoria,
principalmente nos municípios, com o objetivo de fiscalizar
melhor, de forma mais eficiente e, assim, ajudar mais a
administração. "Estamos analisando o exercício
de 96/97 com aplicação de procedimentos de auditoria
mais modernos", afirma. Esse novo padrão permite detectar
"de forma mais perfeita" equívocos, erros e
irregularidades.
O
Tribunal de Contas também tem se empenhado em fazer com que as
prefeituras encontrem soluções para suas necessidades
de receita, sem recorrer ao sistema financeiro. "Recursos como a
Antecipação de Receita Orçamentária
(ARO), nos atuais padrões de juros, é uma condenação
absoluta", avalia Citadini. "Quem recorre a empréstimos
em moldes de ARO não tem como sair por caminhos normais, e
isso é de tal forma gravoso, que a prefeitura não se
recupera facilmente."
Ele
aposta que o governo federal encontrará uma forma de negociar
as dívidas das prefeituras, de unia maneira global, que
permitirá aos municípios ter suas finanças
saneadas. "Afinal, as prefeituras estão recebendo grandes
responsabilidades, como educação, saúde,
trânsito e polícia, motivo pelo qual o governo deve
encontrar uma solução, senão para agrado do
mercado financeiro.
FUNDOS
Os
Fundos de Previdência Municipais também tem sido objeto
de atenção do Tribunal de Contas, neste exercício.
"Estes fundos não podem emprestar recursos às
prefeituras para trapar buracos de falta de receita ou cobrir
despesas feitas. O tribunal é rigoroso nisso", diz
Citadini. "Fundo Previdênciario não é
banco."
LEI CAMATA
O
Tribunal tem sido rigoroso também com os limites de gastos,
com pessoal estabelecidos pela Iei Camata. "A rigor, nós
não temos tido um grande número de prefeituras gastando
acima de 60%. Esta é uma irregularidade episódica.
Considero que a regra, em São Paulo, é a obediência
aos limites constitucionais."
CONCESSÕES
As
concessões de serviços públicos estão
provocando mudanças estruturais na administração
municipal. "O Tribunal tem procurado colocar de forma clara a
sua posição a respeito disso: as concessões não
devem ser dirigidas e é preciso ter garantias de que os
serviços públicos serão atendidos". Alerta
Citadini.
Ele
lembra que o cidadão precisa ter canais que completem suas
reclamações. "Afinal, os serviços não
deixam de ser públicos".
EMENDA 14
Nos
próximos exercícios, os gastos dos municípios
com o ensino vão ganhar importância na análise
das contas dos Municípios. "O Tribunal editou, no ano
passado, uma norma que trata da fiscalização no
município Com as novas questões levantadas pelo fundo".
Lembra. Nós fomos pioneiros na regulamentação da
aplicação do percentual obrigatório no ensino,
logo que saiu a lei Calmon, anterior à Constituição
de 1988. Acumulamos experiência nessa área. Espero que
tenhamos uma convivência com os municípios, no sentido
de ajudá-los a superar as dificuldades que têm e que
serão muitas".
REFORMA
O
Tribunal já está analisando as conseqüências
da Reforma Administrativa, que prevê, entre outras medidas,
contrato da Administração municipal com organizações
sociais para a operação de determinados serviços.
Precisamos ver como vamos fiscalizar, principalmente agora que a
reforma estabeleceu, de forma precisa, que instituição
pública ou privada que opere com recursos públicos, tem
de prestar contas."
Neste
ano, o Tribunal já tem agendado uma série de reuniões
com prefeitos, secretários, vereadores e funcionários
da administração municipal nas diversas regiões
do Estado (Ver quadro na página 8). "0 nosso objetivo é
esclarecer duvidas, discutir os problemas e mostrar que temos
entendido as várias questões que tem aparecido com as
reformas constitucionais". Afirma Citadini, que estará
presente em todos os encontros.
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TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SÃO PAULO Cronograma
de Reuniões |
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03/04 |
Encontro com prefeitos das regiões de Marília e Bauru. |
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24/04 |
Encontro com funcionários de prefeituras da região de Campinas. |
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15/05 |
Encontro com prefeitos das regiões de São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. |
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31/07 |
Encontro com prefeitos das regiões de Araras e Campinas. |
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14/08 |
Encontro com funcionários das prefeituras da região de São José dos Campos. |
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04/09 |
Encontro com prefeitos da região de Sorocaba. |
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16/10 |
Encontro com prefeitos da região de São José dos Campos. |
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06/11 |
Encontro com prefeitos da Região Metropolitana de São Paulo. |
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27/11 |
Encontro com funcionários de prefeituras da região de Ribeirão Preto. |
(PUBLICADO
NO PERIÓDICO "O PREFEITO", n. 51, 26 de março
de 1998, Ano 11)