Texto de Sartre propõe reflexões sobre ética
A empresária dá explicações sobre o aluguel e a venda de seu teatro no ano passado
- A atriz e empresária Ruth Escobar responde às acusações de superfaturamento na venda e também no aluguel de seu teatro:
A acusação
- - Em outubro de 1996, o Teatro Ruth Escobar foi vendido por R$ 5,5 milhões para a Apetesp, valor contestado na Justiça por causa da existência de laudo anterior que avaliava o teatro em R$ 3,67 milhões. Antes disso, em junho de 1992, na gestão do governador Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1994), o teatro foi alugado pela Secretaria Estadual da Cultura. Também contestada judicialmente, a locação teria causado danos ao erário no valor de R$ 3,51 milhões. As irregularidades apontadas são: ausência de licitação, reajuste bimestral do aluguel, quando a lei previa reajuste anual, e ainda o fato de o Estado ter assumido o IPTU do imóvel.
A venda
- - "Já ganhamos todas as liminares nesse processo sem pé nem cabeça. No primeiro laudo, o teatro foi avaliado como um armazém. Um teatro tem suas especificidades, não se trata de um prédio qualquer, que se avalia por tamanho e localização. O Ruth Escobar tem três salas bem equipadas e só a reforma da parte superior custou R$ 2 milhões. Quando a Apetesp resolveu comprar, efetuou um cuidadoso projeto aprovado para captação pela Lei Rouanet, o que corresponde, na área cultural, a uma licitação. Essa aprovação corresponde a um crivo. Prova tratar- se de um projeto relevante para a cultura. No Brasil não há parâmetros para avaliar um teatro. As pessoas desconhecem como funciona um teatro e também ignoram que ele carrega uma memória. Em qualquer outro país, um teatro semelhante valeria muito mais."
O aluguel
- - "O contrato foi feito antes do Plano Real, portanto considero uma leviandade alguém falar num valor de R$ 3 milhões. Levando-se em conta que vendi o teatro por R$ 5 milhões, seria realmente um descalabro que o aluguel tivesse envolvido uma cifra dessa ordem. Na época, fiz o cálculo do aluguel pelo percentual mínimo/mês que seria pago caso estivesse alugado para companhias teatrais, algo em torno de US$ 20 mil. Ainda estou fazendo a conversão, de cruzeiros para dólares, mês a mês, para obter o valor exato. No que diz respeito ao reajuste bimestral, eu lutei por ele, porque havia uma inflação alta no período. Eu já havia passado pela experiência de alugar o teatro com reajuste anual e, em seis anos, o aluguel equivalia, em dólares, a 20% do valor inicial. Quanto à licitação, volto a dizer, as pessoas ignoram as especificidades de um teatro, um bem cultural. No que diz respeito ao IPTU, é prática normal o inquilino arcar com esse imposto. E estou com um processo para receber o IPTU do último ano, que eu mesma paguei ao vender o teatro." (B.N.)