GOVERNO
COVAS PRODUZ REVISTA PARA DIVULGAR OBRAS
Publicação tem 110 páginas, foi rodada na Imprensa Oficial, apresenta uma administração que "produz resultados" e pode sofrer auditoria do TCE.
FAUSTO MACEDO
O governo Mário Covas o (PSDB) gastou R$ 579,6 mil para fizer publicidade de suas realizações e obras. Esse dinheiro foi empregado na produção e na distribuição de 500 mil exemplares da revista Você sabia?.
A publicação foi idealizada pelos assessores de Covas na área de comunicação com o objetivo principal de tentar reverter a Imagem de suposta inoperância atribuída por deputados de oposição à administração tucana.
Você sabia? tem 110 páginas, capa em papel cuchê, e apresenta aos leitores um governo de ação, que "produz resultados". Segundo a revista, Covas estaria criando um "Estado forte".
A revista segue os mesmos moldes da propaganda que foi ao ar na televisão, no final do ano passado, apregoando o "vigor" do governo Covas, sobretudo com relação à política tributária.
Em 1995, segundo informação da página 76 da revista, a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) apresentou crescimento real de l9% em relação a 1994 (último ano do governo Luiz Antonio Fleury Filho), implicando em acréscimo de recursos para a Fazenda da ordem de R$ 2,7 bilhões. No mesmo ano, a arrecadação do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) foi de R$ I,2 bilhão, contra R$ 338 milhões no exercício anterior.
Capítulos - O texto da revista é dividido em quatro capítulos (social, infra-estrutura, economia e governo) e fala de uma política de governo arrojada que, no período entre 1995 e 1996, executou inúmeros investimentos, adotou medidas de redução de custos e ofereceu qualidade nos serviços prestados nas áreas de transportes, saúde, educação e outras.
Dentro da revista há um encarte com quatro páginas dedicadas ao Fundo de Solidariedade, presidido por Lila Covas, mulher do governador.
Dois contratos foram firmados pela Secretaria de Governo e Gestão Estratégica para impressão e distribuição da revista. A secretaria funciona como braço operacional de Covas.
O primeiro contrato foi fechado em novembro com a Imprensa Oficial de São Paulo (Imesp), que produz o Diário Oficial e é vinculada diretamente ao Gabinete do secretario de governo Antonio Angarita, O outro contrato foi assinado com a Empresa de Correios e Telegráfos (ECT).
Cada exemplar de Você sabia? ficou em R$ 0,48. O custo global com a Impressão foi de R$ 281,4 mil. Os Correios cobraram R$ O,74 por peça entregue em domicílio.
As despesas com a pastagem de 459 mil revistas alcançaram R$ 298,2 mil. Os Correios exigiram a colocação de uma sobrecapa (feita nas cores vermelho e cinza), alegando .norma técnica.
O Palácio dos Bandeirantes fez questão de entregar diretamente 41 mil exemplares. Estão recebendo Você sabia? escritórios de advocacia, entidades de classe, associações de bairro, Gabinetes de administradores, deputados, promotores e juizes.
Um assessor do secretário Angarita, Mário lima, disse que a revista foi entregue para formadores de opinião. "O Ideal seria mandar para a população inteira, mas Isso é inviolável por urna questão de custos", justificou
Relatório - Auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) estão colocando sob suspeita a propaganda oficial. Para os auditores, a divulgação "das realizações do governo tem momento e forma apropriados, consubstanciando-se no Relatório de Atividades que o governador deve encaminhar à Assembléia Legislativa".
O Conselheiro Antonio Roque Citadini quer uma auditoria nos contratos da Secretaria do Governo com a Imesp e os Correios. Segundo ele, não é usual esse tipo de publicação de caráter nitidamente publicitário
(Publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 02.02.1997, p. A-14)