O GOVERNO COMPRA LEITE MAIS CARO QUE PADARIA E ESBANJA R$ 5,6 MI.


Entre julho de 96 e fevereiro de 97, Estado pagou R$ 0,07 a mais pelo litro de leite C



O governo do Estado de São Paulo desperdiçou cerca de R$ 5,6 milhões com a compra de leite C. Durante oito meses, os valores pagos foram semelhantes aos do leite B no mercado.


Na edição de 27 de julho, a FT informou que o Estado comprava leite B para os cães da Polícia Militar e C para distribuir a mais de 700 mil crianças carentes. O argumento apresentado pela secretaria de Agricultura foi falta de dinheiro para comprar leite B.


Em 1º de julho de 1996, foi assinado um contrato para compra de leite C por R$0,70 o litro. Segundo o presidente do Sindicato das Usinas e Laticínios Carlos Humberto Mendes de Carvalho, naquela época as padarias compravam leite C por R$0,63 e B, por R$0,74. No balcão, elas vendiam o mesmo leite C por R$0,70.


A situação permaneceu assim durante oito meses, até o final de fevereiro, quando venceram os contratos. Em março, uma auditoria do TCE (Tribunal de Contas do Estado) analisou condenou o contrato e questionou a atuação da Comissão julgadora.


Todas as empresas que participaram da licitação ofereceram o leite C a R$0,75. A comissão verificou que o preço de mercado (varejo) era R$0,70 e fixou esse valor para compra de mais de 34 milhões.


Em março, foi realizada nova e licitação e todas as empresas apresentaram propostas de R$0,70. A Secretaria de Agricultura cancelou a concorrência e o programa do Leite ficou suspenso por um mês. Em abril foram feitos contratos de emergência por R$0,66.

"Além de distribuir leite contaminado o Estado ainda paga preços superfaturados", disse o deputado Paulo Teixeira (PT). Ontem, ele fez uma indicação ao governo para que forneça às crianças leite B, enriquecido com vitaminas e ferro.


O coordenador de Abastecimento da Secretaria de Agricultura, José Guilherme Rocha júnior, disse que o preço do leite vai ser menor que o praticado atualmente, a partir de 1º de outubro. Ele deve publicar no "Diário Oficial" de sexta-feira um novo edital da licitação.


Rocha júnior afirma que o cancelamento da licitação do início do ano e a realização de Contratos de emergência significam uma economia de quase R$ 1,6 milhão para o Estado. Ele admite que o preço praticado atualmente "não é o ideal, mas é o possível".


A explicação para o Estado ter pago pelo leite o mesmo preço praticado pelas padarias, durante oito meses, é que os padeiros não abriam mão da margem de lucro, na troca do tíquete-leite por saquinhos.


O Sindicato das usinas e laticínios disse que o leite tem alto custo de distribuição, muitas vezes dentro de favelas.

(Roberto Cosso)

 

(Publicado no jornal “Folha da Tarde”, em 22.08.1997, p. 9)

 

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