Conselho sofre intervenção após punir auditor

da Reportagem local

A suspensão do auditor do Banco Econômico, Durval Costa Millan, da Ernst & Young, está na raiz da crise que levou à intervenção do Conselho Regional de Contabilidade da Bahia pelo Conselho Federal de contabilidade.

Esta é a versão do professor Fernando José Villas Boas, coordenador do centro de pós-graduação em ciências contábeis da Faculdade Visconde de Cairu, na Bahia. Ele foi um dos relatares do parecer que sustentou a decisão contra Millan. "Os problemas das firmas de auditoria trouxeram as pressões, e a perseguição que acabou nessa intervenção branca", diz.

"A Bahia ficou sozinha. Tivemos coragem de agir como um conselho deve fazer, e isso não é muito comum nos conselhos do Brasil."

Villas Boas diz que a intervenção resulta de divergências pessoais entre José Maria Martins Mendes, presidente do conselho federal, e Alcenir Fernandes de Castro, que presidia o conselho baiano.

"Acho que o caso do Econômico teve muito peso. Acredito que Mendes tenha sofrido pressões e pressionou Castro. Pedimos que o presidente do conselho do Rio se pronunciasse sobre o Nacional. Fizemos muita cobrança e, não deu absolutamente em nada. É uma inversão de valores", diz o professor.

Ele refuta a acusação de precipitação e quebra de sigilo no caso. "Tudo foi feito nos tramites legais, O processo administrativo foi à plenária, que é aberta. O processo ético foi feito em reunião posterior, em julgamento fechado."

 

Consulta vetada

O interventor Geraldo Paiva Gama negou à Folha acesso ao processo que condenou Millan. Gama alegou seguir orientação da presidência do. Conselho Federal de Contabilidade; pois o Processo está em fase de recurso, em Brasília.

Gama disse que a intervenção não tem relação com caso Econômico. Foi decidida pelo conselho federal, diante da "quase insolvência da entidade" as contas de 95 foram reprovadas pelo órgão federal. Segundo ele, há cinco facções em disputa no conselho baiano. "O conselho fazia muitos gastos com fiscalização" diz.

Em julho de 1996, Castro e Vilas Boas, então vice, publicaram aviso na imprensa local, dizendo que se licenciariam por um mês em razão do "comportamento antiético e imoral da presidência do conselho federal". Foram instaurados processos contra eles por "má conduta administrativa". (FV)

(Folha de S. Paulo em 06.10.97 p. 1-13)

 

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