O hematologista Hélio Lotério, que trabalha no Hospital Brigadeiro e Hospital das Clínicas, disse que atende até 20 passageiros por dia


PRODUTIVIDADE DE MÉDICO É BAIXA


Média de consultas em 95 ficou em 5,3 por dia, o que daria 44 minutos de atendimento.

da Reportagem Local


O relatório do TCE insinua que a produtividade dos cerca de 10 mil médicos que trabalham para a Secretaria de Estado da Saúde é muito baixa.

Em média, cada médico da secretaria deu em 1995 apenas 5,3 consultas por dia. O índice foi um pouco melhor do que em 1994, quando a média de consultas diária foi de 3,8, mas ainda assim é considerado ruim.

Por falta de dados, o TCE não conseguiu efetuar o cálculo para o ano de 1996.

De acordo com o tribunal, em 1995, os médicos da secretaria, em média, dedicaram para cada consulta 44 minutos um índice que o próprio tribunal considerou elevadíssimo e irreal.

"Pelo que se conhece da realidade, isso não ocorre", diz o relatório.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera razoável que um médico gaste cerca de 15 minutos em cada consulta.

Portanto, um médico que trabalhe oito horas por dia deve atender cerca de 32 pacientes um índice seis vezes superior ao dos médicos da secretaria.

Para chegar a esses índices, o tribunal dividiu o número total de consultas, que fica em torno de 10 milhões por ano, pelo de médicos da secretaria.

O TCE considerou que cada médico trabalha 20 dias por mês. Para Nilson Ferraz Paschoa, diretor da rede de postos de saúde do Estado na capital paulista, o número de consultas calculado pelo TCE não é totalmente correto, mas não chega a ser errado.

"Esse dado é próximo da realidade, mas precisa ser relativizado", disse Paschoa.

"Há postos de saúde em que temos uma produtividade muito boa, de 16 consultas por médico a cada quatro horas, mas há outros em que ela é baixa."

O hematologista Hélio Lotério, que trabalha no Hospital Brigadeiro e no Hospital das Clínicas, afirmou que atende, diariamente, pelo menos 15 pacientes e, às vezes, até 20.

"É lógico que há médico no estado que trabalha pouco. Isso ocorre em qualquer profissão", afirmou Lotério. "Mas não se pode olhar a saúde apenas pela ótica da produtividade. A qualidade do atendimento também tem de ser levada em conta."

Para o Sindicato dos Médicos de São Paulo, o cálculo do TCE está errado. "Não se pode simplesmente dividir o número de consultas por todos os médicos. Algumas especialidades, como a dos anestesiologistas, nem chegam a dar consultam, disse José Erivalder Guimarães de Oliveira, presidente do sindicato. (MP)

 

(Publicado na “Folha de S. Paulo”, em 12.07.1997, p. 3-8)

 

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