ADMINISTRAÇÃO.
Governador apresenta números diferentes para explicar crescimento na contratação de Tejofran e Power.
COVAS REAGE E DEFENDE CONTRATOS DE SP.
EMANUEL NERI
da Reportagem Local
Ao responder ontem a revelações de que seu governo fez contratos no valor de R$ 151,7 milhões com as empresas Tejofran e Power, que pertencem a um amigo e financiador de suas campanhas, o governador Mário Covas disse que "ninguém vai borrar essa cara com sujeira de quem se compraz".
O governador fez essas declarações na solenidade de posse do novo presidente do Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), Antonio Jamil Cury. Usou mais da metade de seu discurso para se defender da suspeita de um eventual privilégio às empresas do amigo.
A revelação sobre os contratos da Tejofran e Power com o governo foram feitas pela Folha na última segunda-feira. Baseada em dados do TCE (Tribunal de Contas do Estado), a reportagem leva em conta contratos assinados com as duas empresas no atual governo.
As duas empresas pertencem ao empresário Antônio Dias Felipe, amigo do governador há 20 anos. Na disputa eleitoral de 94, as empresas doaram R$ 180 mil para a campanha de Covas. O governador já usou sala da Tejofran como seu escritório político.
Violência
Em seu discurso de ontem, Covas disse que "ninguém tem autoridade" para acusá-lo sobre "qualquer tipo de falcatrua". "já enfrentei outros tipos de violência. Elas não me assustaram. Esta também não vai me assustar", disse, referindo-se às revelações sobre os contratos com as duas empresas.
"Tem gente que só pensa uma coisa; que é tentar mostrar que quem é sério não presta também" afirmou. "Não sei se é problema de consciência ou de satisfação externa. Não sei se é porque tendo pecado, se sente melhor atribuindo pecado a terceiros."
O governador afirmou que, para ele, ficaria mais "cômodo jogar as responsabilidades dessas coisas (a revelação sobre os contratos) sobre subordinados". Mas, segundo ele, "o povo elegeu foi a mim, não foi a subordinados, que foram escolhidos por mim".
Covas disse ter pago "parte com amizade, parte com dinheiro", o aluguel da sala da Tejofran que usou como escritório político. Afirmou que vai pedir ao TCE os dados que serviram de base para a reportagem, "porque aqueles que eu tenho nos arquivos do Estado não mostram a mesma situação".
Mais de 300 pessoas estavam presentes à solenidade de posse do novo presidente do Dersa. Covas pediu desculpas a eles por usar aquele ato para falar sobre a revelação dos contratos de seu governo com as empresas de seu amigo. Depois da solenidade, se recusou a dar entrevista aos repórteres.
Acervo
O discurso de Covas ocorreu pela manhã, no Palácio dos Bandeirantes. Mais tarde, em entrevista coletiva, o governador disse que, está esperando "cópia integral das informações obtidas pela Folha".
De repente, eu é que estou errado em minhas informações", afirmou. "Mas meu acervo me dão informações diferentes", declarou o governador.
(Publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 11.06.1997, p. 1-14)