OS NÚMEROS DOS CONTRATOS DE COVAS


Com a Tejofran e Power, em R$ mi.



O argumento de Covas


O valor dos contratos teria caído 29,5% entre 1994 e 1996 (diferença entre R$189,9 mi e R$133,8 mi). Os R$189,9 mi de 1994 se referem a contratos acumulados (estoque) em anos anteriores


O que diz a reportagem


Em 1994: foram fechados contratos com as empresas no valor de R$ 20,1 mi. São contratos novos, não estoque. Em 1996, Covas assinou novos contratos no valor de R$133,8 mi. Portanto, o aumento no valor dos contratos novos é de 566% (R$ 133,8 mi sobre R$20,1 mi)



OS NÚMEROS


Entenda a diferença de valor


da Reportagem Local


No discurso que fez ontem criticando informações sobre as contratações das empresas Tejofran e Power em sua administração, o governador Mário Covas apresentou números que, segundo ele, são diferentes dos mostrados na reportagem da Folha.


O governador de São Paulo disse que, em janeiro de 1995, início de seu governo, os contratos com as duas empresas eram de R$ 189,9 milhões. Em janeiro do ano passado, segundo ele, esse valor caiu para R$ 147,9 milhões - baixando para R$ 133,8 milhões em janeiro de 1997.


De acordo com esses números, segundo o governador, houve uma redução de 29,5% dos valores dos contratos da Tejofran e Power em relação aos registrados no início de seu governo. Covas afirmou que o número de contratos com as duas empresas também vem caindo.


Em janeiro de 1995, segundo ele, havia 64 contratos - em 1996, eram 37, e em 97, chegaram a 47 contratos. Para Covas, o desembolso mensal às duas empresas também vem caindo.


O Estado, segundo ele, desembolsou R$6,54 milhões com a Tejofran em janeiro de 1995 - em janeiro de 1997, pagou R$4,42 milhões Com a Power, foram R$3,1 milhões em janeiro de 1995, e R$2,58 milhões, em janeiro de 1997.


Covas utilizou parâmetros diferentes ao contestar os números da reportagem. Seus números, aparentemente, se baseiam em valores sobre contratos acumulados nos últimos anos.


Ele não deixou isso claro e se recusou a dar entrevista pela manhã.



Contratos novos


Já a reportagem da Folha usou como base os contratos efetivamente fechados na administração Covas (1995, 1996 e início de 1997).


O cálculo sobre o crescimento tem como referência contratos de 1994, último ano do governo de Luiz Antonio Fleury Filho.


Os contratos novos com as duas empresas em 1994 foram de R$20,1 milhões. Em 1995, primeiro ano do governo Covas, tais valores foram de R$12,7 milhões - em 1996, de R$133,8 milhões, e em 1997, de R$5,2 milhões.


Comparando-se os contratos novos de 1994 (R$20,1 milhões) com os de 1996 (R$133,8 milhões), ano de maior volume de contratações, o crescimento do valor com esse tipo de serviço foi de - 566%. Tal crescimento ocorreu efetivamente no governo Covas.



Valores pagos


O governador usa outro argumento para dizer que estão caindo os valores pagos em seu governo à Tejofran e à Power. Covas refere-se a valores efetivamente desembolsados ao longo de sua administração.

A reportagem, ao contrário de Covas, refere-se a valores de contratos feitos em seu governo.

Têm duração de um ou mais anos - portanto, nem todos os seus valores foram descontados ainda no caixa do governo. (EMANUEL NERI)

 

 

(Publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, em 11.06.1997, p. 1-14)

 


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