ADMINISTRAÇÃO
Negócios com empresas que financiaram campanha do governador em 94 chegam a R$ 151,7 milhões.
CONTRATO DE AMIGO DE COVAS É INVESTIGADO
EMANUEL NERI
da Reportagem local
A Procuradoria de Justiça de São Paulo vai apurar eventuais irregularidades em contratos das empresas Tejofran e Power com a administração Mário Covas (PSDB). Em três anos do atual governo, os contratos com aquelas empresas chegaram a RS 151,7 milhões.
A Tejofran e a Power que atuam na área de prestação de serviço, pertencem a Antônio Dias Felipe, amigo, compadre e financiador das Campanhas de Covas. As duas empresas doaram R$ 180 mil para o tucano na campanha para o governo de 94.
A Folha revelou ontem que só em 1996, segundo ano do governo Covas, esses contratos chegaram a R$ 133,8 milhões. Isso representa crescimento de 566% sobre o valor dos contratos feitos no último ano da administração de Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB), em 1994.
O procurador-geral de justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, enviou ontem ofício ao presidente do TCE Tribunal de Contas do Estado), Renato Martins Costa, pedindo informações sobre "eventuais irregularidades" nos contratos com as ditas empresas.
Marrey pede que TCE, em caso de constatação de irregularidades, envie à Procuradoria da justiça a documentação comprobatória sofre os contratos. A investigação pode terminar na abertura de inquérito civil para investigar eventual favorecimento às empresas.
A Folha apurou junto, ao TCE que há comprovação de irregularidades em mais de um contrato feito com as empresas do amigo de Covas. Alguns desses casos envolvem superfaturamento de valor de contratos com a Power para a prestação de serviços de vigilância.
Sem licitação
Dezenove contratos foram feitos com a Tejofran e a Power no governo Covas. Em 95 e 97, os valores são bem menos significativos do que os R$ 133,8 milhões do ano passado. Em 95, foram de R$ 12,7 milhões; em 97, de R$ 5,2 milhões.
No último ano do governo Fleury, os contratos feitos com a Tejofran e a Power chegaram a R$ 20,1 milhões. Covas é amigo há 20 anos do dono das duas empresas. Em 92, instalou seu escritório político em uma sala da Tejofran.
Dois dos 19 contratos foram feitos sem licitação. Um deles é com a Tejofran, no valor de R$ 6,6 milhões; o outro, com a Power, no valor de R$ 3,3 milhões, Este último contrato sofreu mais tarde um aditamento de mais R$ 450 mil.
Esse contrato com a Power é objeto de uma outra investigação feita pelo TCE e pela Procuradoria da justiça. É que o governo aproveitou depredações em estações de trens, em outubro de 96, para fazer contratos com outras finalidades.
Tais contratos, com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, atingiram R$ 176,5 milhões.
OUTRO LADO
COVAS NÃO QUIS RESPONDER
da Reportagem Local
O governador Mário Covas não se manifestou ontem sobre os contratos entre as empresas Tejofran e Power com seu governo. Mas sua assessoria de imprensa informou que o governo deve divulgar nota hoje ou amanhã sobre o caso.
Meyre Zaidan, assessora de imprensa do governador, informou que Covas não irá se manifestar sobre o pedido de investigação feito pelo Ministério Público. Segundo ela, a investigação do governo é urna tarefa do Ministério Público.
o governador cancelou de última hora sua participação ontem na solenidade de comemoração do quarto centenário do padre José de Anchieta, em São Paulo. Sua assessoria foi ao local da solenidade e ficou surpresa com a ausência de Covas.
Uma hora antes da solenidade, Covas telefonou para Belisário dos Santos júnior, secretário da justiça e da Defesa da Cidadania, pedindo que o representasse no ato.
A assessoria de Covas informou anteriormente que a amizade do governador com o dono da Tejofran e Power não pode impedir a participação das empresas nas licitações do Estado, "até porque não há vícios nas licitações".
(Publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 10.06.1997, p. 1-8)