POWER ELEVA PREÇOS EM ATÉ 88,8%
Xico Sá
da Reportagem Local
A Power, empresa de segurança de Antonio Dias Felipe, amigo e, compadre do governador Mário Covas, aumentou os preços dos seus serviços de vigilância no Estado em até 88,8%.
Pelo menos em dois contratos, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) constatou a elevação de valores considerada fora dos padrões de preços do mercado.
No primeiro caso, a Power foi contratada em outubro do ano passado, sem licitação pública, pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), a um custo de R$8,50 por cada hora trabalhada por seus vigilantes.
A mesma Power do amigo do governador realizou serviço semelhante, em 1995, por R$4,50 a hora/homem. O aumento no custo do serviço foi de 88,8%, conforme auditoria do TCE, enquanto a inflação alcançou apenas 17,5% nesse período.
Para ganhar o serviço no valor total de R$ 3,7 milhões, a Power não precisou participar de licitação. O governo alegou que enfrentava uma situação de emergência, depois de depredações de trens ocorridas e 96, e fechou o contrato considerado irregular.
Em outro caso, o TCE questiona o governo sobre a elevação de preço praticado pela Power no serviço de vigilância de terrenos e conjuntos habitacionais da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano),
A empresa, vencedora de uma licitação juntamente com a firma Gocil, recebe R$ 8,33 por cada hora trabalhada por seus vigilantes. O valor é superior à previsão da própria CDHU, que planejava gastar R$ 6,54 por hora.
O custo total do contrato com a CDHU é de R$ I8,5 milhões, correspondente a um ano de serviços prestados.
O Conselheiro Antonio Roque Citadini do TCE, pediu explicações ao governo sobre as possíveis irregularidades. Além da diferença de preços, o tribunal questiona também a necessidade de 300 postos de vigilância no Estado e pede um mapeamento deles.
Outro lado
A Folha procurou ontem falar com o governador Covas durante toda a tarde. Foram oito telefonemas sem resposta, A assessoria do governo também não se pronunciou sobre o assunto. O mesmo ocorreu com a direção da CPTM, também procurada pelo jornal.
A Power informou que os contratos estão dentro de preços de mercado e são praticados por outras empresas que prestam o mesmo tipo de serviço ao Estado.
Segundo a Power, o serviço prestado à CPTM foi mais alto devido à sua "complexidade", ou seja, segurança patrimonial, proteger os trens de depredação.
(Publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 10.06.97 p. 1-8)