DEPUTADOS PEDEM AO MP INVESTIGAÇÃO SOBRE SAÚDE


Os deputados Jamil Murad e Nivaldo Santana, do PC do B, entraram com representação no Ministério Público Estadual questionando o orçamento da Saúde em 96 e a não aplicação do total previsto. Segundo os parlamentares, a destinação de verbas para área foi de R$1,8 bilhão, o que representa 5,92% do orçamento do Estado para o ano passado. Citando dados do relatório do conselheiro Roque Citadini, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), sobre as contas de 1996 do Governo Mário Covas, eles destacam que o percentual foi o menor desde 1988. Ainda segundo Citadini, a Secretaria da Saúde gastou menos do que teria direito - apenas 5,50% ou R$1,6 bilhão.


"Não bastasse o reduzido percentual destinado à Saúde, constata-se que o secretário da Saúde (José da Silva Guedes) deixou de aplicar às necessidades de sua área R$206,7 milhões", alegam os deputados. "Necessário se faz a solicitação de informações às Secretarias da Saúde e da Fazenda sobre a não - utilização do total de recursos e o destino da verba que não foi aplicada na área". Para justificar o pedido de investigação do caso pelo Ministério Público e, se tiver havido omissão, "a responsabilização civil ou penal dos agentes públicos", Murad e Santana citam reportagens sobre "o quadro deprimente" da saúde pública.


Sobre os R$206,7 milhões que deixaram de ser gastos, a Secretaria da Saúde alega que os repasses federais do Sistema Único de Saúde (SUS) foram superestimados em R$300 milhões, tendo recebido apenas R$200 milhões. A secretaria acrescenta que houve um corte de 30% no orçamento do Estado, com prejuízo de R$140 milhões.



(Publicado no jornal “Diário Popular”, em 23.07.1997, p. 8)


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