CEI ESTUDA PEDIR IMPEACHMENT DE VEDOVELLO


MARCELO PEREIRA



O prefeito de Paulínia, Adélsio Vedovello (PMDB), está ameaçado de sofrer um processo de impeachment devido às irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), na operação financeira pela qual a Prefeitura da cidade vendeu ações da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) à corretora Walpires S/A, em fevereiro deste ano.


A revelação foi feita ontem pelo vereador Mário Lacerda (PFL), relator da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura irregularidades no episódio. Segundo ele, a sugestão de um processo de impeachment é uma das possibilidades que levará em conta quando começar a escrever o relatório final, a partir de hoje. Lacerda espera concluir o relatório até o dia 8 de agosto.


Entre as irregularidades detectadas pelo TCE na operação de venda das ações da Sabesp estão a falta de licitação para a contratação da corretora e a ausência de autorização da Câmara Municipal de Paulínia para a realização da operação.


A CEI contabilizou um prejuízo para os cofres públicos entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão, já que as ações foram compradas por um preço abaixo do mercado.


A assessoria de imprensa da Prefeitura de Paulínia informou ontem que Vedovello só vai comentar a possível sugestão de impeachment, "depois de concluídos os trabalhos da CEI".


A comissão trabalha há três meses e não deve pedir prorrogação do prazo, segundo o relator. Lacerda disse que pode marcar "mais alguns" depoimentos antes de encerrar o trabalho. Uma das pessoas sujeitas a nova convocação, segundo o relator, é o dono da corretora, Waldemar Pires.


Vedovello também não quis comentar a auditoria realizada pelo TCE, que constatou 15 irregularidades na operação. Segundo a assessoria, o prefeito só vai se posicionar sobre a auditoria depois de receber cópia do documento.

 

 

(Publicado no jornal “Correio Popular”, Campinas, em 29.07.1997, p. 5)

 

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