CASO IMESP





PÁGINA POLICIAL


Roque Citadini, diretor da Comgás, afirmou que o caso Imesp, do qual Guilherme Afif Domingos; presidente da Associação Comercial de São Paulo, é um dos acusados merecia sair nas páginas policiais. Afif Domingos o processou e perdeu em primeira instância.


Na seção de cartas de O Estado de S. Paulo de 9 de junho de 1984, um leitor teceu considerações sobre o "caso Imesp". No último parágrafo escreveu: "Ao Estado tenho que fazer apenas uma sugestão: o "Caso Imesp", brilhantemente apurado pela gestão Audálio Dantas, deve sair da página política e passar para o noticiário policial. É lá, junto com Buscetta, Sete Dedos, Curi, etc., que devem estar os réus Maluf, Reinaldo e Afif".


Passado um mês e meio, Guilherme Afif Domingos abriu processo contra o autor da carta, Antonio Roque Citadini por injúria. Diretor administrativo da Comgás, Roque arrolou como testemunhas personalidades do porte do vice-governador Orestes Quércia, do presidente da Assembléia Legislativa, Luiz Carlos dos Santos, do superintendente do Imesp, Audálio Dantas, entre outros.


No dia 4 de junho último, o promotor de justiça Mágino Alves Barbosa Filho, da 2ª Vara Criminal, assim se manifestou: "Parece-nos, que hoje, sob os auspícios da Nova República, queixas-crime como esta, que foi apresentada, não mais existirão, pois caberá ao político e ao governante, a missão de escutar e acolher os reclamos da sociedade, que poderão muito bem vir em forma de carta do leitor".


O juiz de Direito Walter Saraiva de Medeiros, da 2ª Vara Criminal - Regional Santana, em seu despacho acolheu a observação do promotor de Justiça: "Não há que se negar que o assunto tratado na matéria jornalística poderia muito bem estar alocado na coluna policial, pois à época dos fatos estava afeto também a sede criminal e policial inclusive com requisição de inquérito policial por Sua Excelência o Procurador Geral da Justiça - além da sede política, em virtude das pessoas envolvidas".


Roque Citadini lembra que a denúncia foi rejeitada pelo juiz com base na manifestação do promotor público. Mas esse processo tem uma singularidade: pela primeira vez os acusados do escândalo do Imesp receberam sentença desfavorável. Quer dizer: voltaram à condição de réus. "O que se tentou fazer - diz Roque Citadini - foi transformar em réu quem não é, que somos nós. Os réus neste processo são eles".


Inconformado com a sentença do juiz da 2ª Vara Criminal de Santana, onde correu todo o processo, Afif Domingos recorreu, em julho, ao Tribunal de Justiça, cuja sentença virá em 4 a 6 meses.

"No fundo - continua Roque Citadini - o processo tem o sentido de intimidar. Quer dizer, o Guilherme Afif tentou me intimidar, mas não deu certo. Agora, ele recorre".


Guilherme Afif Domingos não comenta o assunto, segundo seu assessor de marketing, Paulo Saab: "Está subjudice, e não é recomendável que ele se manifeste".


Audálio Damas lembra que foi arrolado como testemunha, mas nem chegou a depor na Justiça porque o caso foi arquivado. Faz questão de ressaltar que tem duas ações em curso na Justiça contra Afif Domingos, Paulo Maluf e Reynaldo de Barros, uma na Cível pelos prejuízos causados aos cofres público, outra na Vara Criminal pela impressão de material de propaganda partidária e eleitoral na companha de 82. Mais ainda: Audálio Dantas quer o ressarcimento dos prejuízos causados pela venda do edifício da antiga Imprensa Oficial, na rua Galvão Bueno, e pelos seus equipamentos gráficos, tudo relatado no conhecido "Livro Branco do Caso Imesp".


(Rivaldo Chinem)

 

(Publicado no em )

 

Voltar - atuação 1996