AMIGOS DE FLEURY NO COMANDO


Novo presidente, o vice e o corregedor foram auxiliaras do ex-governador


A nova cúpula do Tribunal de Contas do Estado (TCE) abriga três conselheiros que são amigos pessoais do ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho (1991/1994). O presidente, Fulvio Julião Biazzi, o vice, Renato Martins Costa, e o corregedor, Edgard Camargo Rodrigues, foram eleitos para mandato de um ano, período em que terão a missão de examinar contas e contratos celebrados pela administração direta e indireta na gestão Fleury.


Os três chegaram ao TCE indicados por Fleury depois de terem trabalhado como auxiliares diretos no Palácio dos Bandeirantes. Biazzi foi Assessor especial de Fleury na sua gestão. Antes, no governo Orestes Quércia (1987/1991 ), havia ,atuado como secretário - adjunto de Fleury na Secretaria de Segurança Pública do Estado. Renato foi assessor especial e secretário do Governo. Edgard serviu como secretário - adjunto do Governo.


Um quarto conselheiro, Claudio Ferraz Alvarenga, ex-procurador - geral de Justiça, também foi secretário do governo de Fleury. Os outros três conselheiros não têm ligação com Fleury. Três de seus amigos no tribunal, Biazzi, Costa e Alvarenga, têm algo mais em comum com Fleury, todos foram procuradores de justiça.


"Sou amigo do Fleury e não escondo de ninguém mas isso não interfere na minha consciência, meus atos dirão", afirmou Biazzi. Na tarde de segunda-feira, durante a solenidade de sua posse, Fleury sentou-se ao seu lado. O governador Mário Covas também. O presidente da Assembléia legislativa, deputado Ricardo Tripoli (PSDB, ficou de fora da festa porque chegou muito atrasado. O TCE é órgão auxiliar da Assembléia.


Biazzi assegurou que a composição da direção do tribunal "não vai quebrar a nossa independência". Lembrou que, como presidente, não pode mais ser escolhido relator dos processos. "Eu só voto se houver empate, o que acontece muito raramente", explicou. "Só vou cuidar de atos administrativos.”


O JT apurou que apenas uma vez Biazzi se deu por impedido e não participou do julgamento das contas do governo Fleury referentes ao exercício do ano de 1993. Naquele ano, Biazzi havia servido no Palácio dos bandeirantes. "Eu só cuidava da agenda, do governador, nunca assinei um papel que fosse", garantiu Biazzi.


Renato Martins Costa é conselheiro desde abril de l994. "Sou amigo do Fleury, não posso abdicar dessa amizade, fui secretário e fui .assessor dele mas isso não favorece e nem prejudica em nada o ex- governador porque nossa atuação no TCE e extremamente técnica. Disse Costa. "Aqui ninguém é louco ou aventureiro, temos um nome a zelar.”


O primeiro teste sobre a declarada independência do Tribunal de Contas perante o ex-governador Fleury está marcado para hoje, quando os sete conselheiros irão se reunir para julgar os contratos destinados à remoção de lama e despoluição do Rio Tietê.


O negócio foi firmado com quatro empreiteiras em outubro de 1992 e divulgado por Fleury, na época, como "uma obra, prioritária". O conselheiro-relator, Antonio Roque Citadini votou pela condenação dos contratos. Ele apontou sete irregularidades, inclusive superfaturamento de preços.


(Fausto Macedo)

 

 

(Publicado no “Jornal da Tarde”, em 17.01.1996, p. 10)

 

 

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