O primeiro contrato de remoção de lama do Rio Tietê foi firmado em 1986, na gestão Montoro. O Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) contratou a Camargo Correa para "obras de ampliação da calha do Tietê". Em julho deste ano o conselheiro-relator do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Roque Citadini, apontou irregularidades: critérios subjetivos na fase de habilitação, manipulação na atribuição de pontos das propostas técnicas, falta de orçamento básico da obra e fixação de preços superiores aos de mercado.
Em 1990, no governo Quércia, a empreiteira Badra foi contratada para obras de "desassoreamento" ao preço, em valores da época, de CR$ 4,6 bilhões. O conselheiro-relator, Antônio Carlos Mesquita, amigo de Quércia, considerou o contrato "regular". Na fase de recurso, Citadini julgou-o irregular por causa de pagamentos indiretos "elevados".
Em 1992, o governador Luiz Antonio Fleury Filho anunciou como uma "meta prioritária" a limpeza do Tietê e autorizou dois contratos do Daee com quatro empreiteiras, no valor de US$ 88 milhões. Os dois foram considerados irregulares pelo TCE. Os auditores descobriram que pelo mesmo tipo de serviço (desmobilização e remoção do canteiro de obras às margens do rio), a Badra cobrou US$ 40,5 mil no governo Quércia, e no de Fleury foram cobrados US$ 2,4 milhões.
O TCE apontou falta de projeto básico, exigência de "altíssimo valor" das disponibilidades financeiras das concorrentes, indevida exigência de equipamentos das concorrentes, subjetividade na atribuição de notas das propostas técnicas; falta de orçamento básico da obra e fixação de preços superiores aos de mercado. (F.M.)