GOVERNO
PAULISTA
COMPRA
SOB SUSPEITA
TCE
denuncia contrato firmado pela FDE
A
compra de 40 mil carteiras e 200 mesas escolares, ao preço
total de R$ 2.7 milhões, realizada pelo governo Mário
Covas (PSDB), está sob suspeita do Tribunal de Contas do
Estado (TCE). O negocio foi fechado pela Fundação para
o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão
vinculado à Secretária Estadual de Educação,
por meio de dois contratos celebrados nos dias 7 e 13 de abril
passado.
É
o primeiro negócio da administração Covas em que
o TCE aponta irregularidades. Duas empresas ganharam a concorrência
para fornecimento do material AIberflex Indústria de Móveis
Ltda e Madecenter Móveis. Para os auditores e os procuradores
da Fazenda que atuam no TCE, "há evidências de
conluio entre os licitantes" Os contratos foram assinados pelo
presidente da FDE, Lauro de Almeida Carneiro Filho e pelo consultor
jurídico chefe da entidade. Marco Antonio Cruz.
O
"conluio" apontado pelos auditores estaria no fato de que
as mesmas empresas participaram dos dois processos de licitação.
Na primeira compra (valor de R$ 1,1 milhão), a Madecenter
ofereceu proposta cujo valor correspondia a 437,07 UFesps (Unidade
Fiscal do Estado) cada conjunto de carteiras. A AIberflex cobrou
421,97 Ufesps. Na segunda compra (valor de R$ 1,6 milhão),
ocorreu o inverso. Segundo o conselheiro - corregedor, Antonio Roque
Citadini, "a troca de preços evidencia um acordo entre as
licitantes", o que é ilegal.
Citadini
observa ainda que a Comissão Julgadora da FDE, era composta
pelos mesmos integrantes nos dois negócios. "A Comissão
não pode alegar que desconhecia os valores apresentados nas
duas oportunidades", denuncia o conselheiro.
Para
o presidente da FDE Lauro de Almeida Carneiro Filho, não há
irregularidades "já que as duas licitações
foram exaustivamente analisadas pelos setores técnicos e
jurídicos da Secretaria". Segundo ele, seis empresas se
habilitaram mas apenas duas apresentaram propostas. Carneiro Filho
disse, ainda, que na mesma data, a Prefeitura da Capital também
realizou uma compra de conjuntos de mesa e cadeira de professor,
"pagando preço 112% superior ao nosso, não
havendo, portanto, irregularidades".
Fausto
Macedo
(Jornal
da Tarde, 24/7/1995, p. 5)