CLUBE

Apenas um pontapé inicial

ANTONIO ROQUE CITADINI
ESPECIAL PARA A FOLHA


O fim do passe é apenas um ponto de partida para a real profissionalização do futebol brasileiro. Um bom começo.

Sua existência levava os clubes a menosprezarem outras fontes de receita, ignorando o potencial do futebol como negócio. Desta visão equivocada resultou a grave crise atual.

Clubes, atletas, empresas e governo têm agora boa oportunidade para um real avanço.

Os clubes podem e devem ganhar dinheiro, pagar bons salários e oferecer grandes espetáculos ao público.

Basta reconhecer que o futebol, além de paixão, é um dos maiores entretenimentos. Para que isso aconteça é preciso um calendário racional, com campeonatos bem organizados e estádios capazes de proporcionar conforto e segurança.

Cabe agora negociar de forma profissional a venda dos espetáculos e de suas marcas: publicidade estática, direitos de transmissão pela televisão aberta e fechada e pela Internet.

O governo deveria contribuir com mudanças na legislação, tais como: indenização aos clubes que formam jogadores e proibição da saída do país de atletas menores de 21 anos; livre circulação de jogadores no Mercosul; limitação do prazo de contrato dos jogadores com empresários, procuradores e agentes (uma omissão da Lei Pelé); criação de um Fundo de Apoio ao Esporte de Base, mediante imposição de uma taxa sobre as transmissões pay-per-view, TV por assinatura e transmissões via Internet.

Esta taxa, cobrada diretamente na conta, teria a seguinte distribuição: 20% para os clubes que tenham jogos transmitidos e 80% encaminhado ao Ministério do Esporte, que ficaria responsável por dividir o montante entre os clubes menores, que formam jogadores mas não têm seus jogos transmitidos pela TV.

O fim do passe deve ser estimulante, não anestésico.


Antonio Roque Citadini é vice-presidente de futebol do Corinthians


(FOLHA DE S. PAULO, ESPORTE, 25/3/2001, P. D-5)



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