MAIO/2001
O FUTEBOL VOLTA A VENCER
O final da temporada de 2000 foi extremamente negativo para todo futebol brasileiro.
A
Copa João Havelange, criticada e desacreditada, apresentou
estádios vazios e baixa audiência da televisão.
Acontecimentos extra-futebol, como as CPIs no Senado e Câmara
ou a violência entre torcedores, vieram a agravar o quadro
negativo para o futebol brasileiro em 2000.
No
caso do Corinthians devemos acrescentar ainda uma horrível
temporada no segundo semestre, com recorde de derrotas,
desclassificações em todos os torneios e um futebol com
péssimo desempenho em campo.
Como
conseqüências deste quadro negativo tivemos a perda de
receitas dos clubes, com atrasos de pagamento de jogadores e
credores, venda de atletas cada vez mais jovens para o exterior, bem
como o endividamento cada vez maior dos clubes que deixaram de pagar
Imposto de Renda, INSS e os depósitos no Fundo de Garantia.
Para
reverter a situação tão agravada, os clubes
necessitam de muitas medidas, algumas de curto prazo, outras de longo
prazo.
Todas as agremiações brasileiras dos dias atuais dependem exageradamente das receitas advindas das transmissões de televisão.
Para
alguns clubes esses valores representam mais de 90% de tudo que
arrecadam, enquanto na Europa apenas um terço da receita é
da televisão, outro terço vem de rendas de público
e o último terço é proveniente da venda de
produtos.
A
boa notícia que podemos ter neste começo de ano é
que o futebol volta a mostrar o seu peso nas transmissões de
esporte, revertendo a tendência de audiências baixas
ocorridas no último semestre. É fundamental para os
clubes ter a confiança do torcedor e do telespectador, uma vez
que receitas de venda de ingressos e venda de produtos dependem de
investimentos de médio e de longo prazos.
Neste
quadro é relevante a contribuição que o
Corinthians vem dando desde o início do ano e que pode ser
constatada no caso do Torneio Rio-São Paulo, primeiro evento
do esporte deste ano. Durante essa disputa, o Corinthians, que não
passou para a fase final, apresentou audiência média na
Grande São Paulo de 32,1 pontos do Ibope. Tal número é
de relevante importância posto que é muito acima dos
verificados no semestre passado, o que vem contribuir para a
televisão ver como bom investimento o futebol. Destaque-se que
a audiência média do Corinthians foi 20% superior à
do Palmeiras e 25% maior que a do São Paulo, o qual foi
campeão do torneio. Apenas para comparação,
neste mesmo período o programa Show do Milhão do SBT,
badalado como grande evento de televisão e de audiência,
teve média de 17,6 pontos de Ibope.
O
crescimento das audiências de televisão conseguido em
jogos do Corinthians é fator de grande relevância para
o mercado publicitário brasileiro como um todo. Devemos
destacar que na Grande São Paulo existem por volta de 4,4
milhões de domicílios com televisores, contra 2,96
milhões no Grande Rio; na região metropolitana de São
Paulo existem cerca de 8 milhões de pessoas economicamente
ativas, contra 4,4 milhões no Rio de Janeiro. Esta comparação
não tem finalidade bairrista, mas sim para destacar a
importância de que clubes de São Paulo, notadamente o
Corinthians, têm um bom desempenho futebolístico
tornando-se um grande negócio. Lembro que um comercial de um
minuto na TV Globo, considerando sempre o preço de tabela
cheia, em uma Quarta-feira, dia de futebol, entre 21:30 e 23:30 custa
em São Paulo R$40 mil, enquanto na praça do Rio custa
R$13 mil.
O
importante desempenho do Corinthians nas audiências de
televisão é relevante para o clube e para todo o
futebol, e igualmente para todo o mercado publicitário,
atendendo de forma extremamente eficiente a todos os anunciantes.
A
boa notícia para o futebol neste começo de ano é
a volta do Corinthians jogando bem no campo e ganhando audiência
na televisão, como demonstraram os números do Torneio
Rio-São Paulo.
O
campeonato Paulista e a Copa do Brasil são outra história,
muito melhor no campo e na TV, como veremos nos próximos
artigos.
ANTONIO
ROQUE CITADINI arcit@uol.com.br