A candidatura do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2012 não conseguiu um lugar entre as cinco cidades finalistas. Nenhuma pessoa de bom senso se surpreendeu com a exclusão. O Rio, como quase todas as cidades brasileiras, São Paulo inclusive, não tem, como justificou o COI, infra-estrutura, ponto final. Da água potável ao transporte público é enorme a série de carências injustificáveis para tal pretensão.
Basta
comparar o Rio com as classificadas, a saber Nova York, Paris,
Moscou. Em qual delas é possível encontrar tantas
favelas? Beleza natural, perdoem-me os cariocas, Porto Príncipe
também tem. O nosso Comitê Olímpico e as
autoridades do Rio tentaram vender uma ilusão: quem pode
sediar um Pan-americano tem igual chance de acolher os Jogos
Olímpicos.
Ora,
o Pan está restrito ao Novo Mundo. São Paulo quase foi
sede (pela segunda vez) em 1975 mas a epidemia de meningite impediu.
O último Pan foi em São Domingos, República
Dominica-na. No caso das Olimpíadas, o que menos importa é
a construção de uma Vila Olímpica. Com dinheiro
as empreiteiras brasileiras constroem no prazo uma vila ou mais.
O
problema é a infra-estru-tura. E desde os anos noventa que
minguaram ou desapareceram os investimentos em saneamento básico,
um dos itens de importância capital. A Baía da Guanabara
é uma maravilha da natureza, porém, a população
à sua volta transformou-a num cloaca.
A
Lagoa Rodrigo de Freitas não fica atrás. Igual destino
inglório têm os rios que abastecem a Cidade Maravilhosa,
um deles, o Paraíba, com notável contribuição
dos paulistas.
Dói-me
constatar tais mazelas mas não adianta esconder o óbvio.
Nas atuais condições o sonho olímpico é
inalcançável. Precisamos começar a trabalhar
rápido para que na escolha da sede da Copa a FIFA não
nos submeta à mesma rejeição que o Rio amargou
do COI.
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 26/6/2004)